A Brochada latina

Por: Anderson Estevan

Era a sua primeira noite com ela. Finalmente havia conseguido levá-la para a cama. Todos os paparicos, as adulações e os presentinhos valeram a pena. Somado a uma conversa bem agradável, sua colega de setor sucumbira aos seus encantos.

Levou-a para jantar em um restaurante japonês. Claro, japonês sempre funciona. Conversaram sobre o trabalho, sobre a possibilidade do chefe  usar peruca e também sobre como estariam daqui dez anos.

Beberam vinho, deram boas risadas, tudo estava como ele havia planejado. Saíram do restaurante num ritmo bem amigável.Em frente ao prédio dela ele foi convidado para subir. Deixou o carro na garagem e já se agarraram no elevador.

O seu vestido preto lhe caia muito bem, nem muito colado, nem muito largo. Aquela roupa devia ter sido feita para o seu corpo. As mãos se procuravam e se perdiam enquanto o elevador chegava ao andar certo.

Entraram em seu apartamento meio apressados. Ele nem havia reparado na decoração. Na verdade ele não conferiu nada ali. Foram direto para o quarto dela.

Em meio aos amassos e carícias ele subitamente estacou. Algo lhe deixou perplexo, paralisado. Algo que também estava estático e também o encarava.

Um pôster em tamanho real do Julio Iglesias o observava e a sua cena de amor. O sorriso metálico, a pele bronzeada e aquela quase peruca estavam todos lá. Lembrou-se de sua mãe cantarolando junto com o rádio. Brochou na hora.

E para explicar, o que diria? Ah, isso nunca me aconteceu… Estou com muitos problemas no trabalho… Ou a verdade, de que não conseguia transar sob o olhar malicioso do pôster de Julio Iglesias?

Analisou a situação e saiu de lá como um verdadeiro mestre.

– Calma, querida, não estamos indo rápido demais, não?

– Como assim?

– É que eu não acho certo fazer isso com você

– Isso o quê? Transar comigo?

– Não, mas acho devíamos sair novamente antes disso

Imagine, caro leitor, esta cena surreal se desenrolando na cabeça da moça. Todas as suas expectativas, inseguranças e medos fundindo-se em um simples: – Ok, tudo bem.

Mesmo sem entender direito a situação ela concordou. Pensou também na possibilidade dele ter brochado. Logo desconsiderou. Um homem daqueles não devia brochar assim. Vai ver ele era estranho assim mesmo.

Ele então se vestiu e após uma longa conversa foi para casa. Chegou rapidamente no lar. Tomou um banho gelado e foi dormir. Não conseguiu. A imagem aterradora do sorriso de Julio Iglesias o manteve acordado durante a noite toda.

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