Nós dois

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Por Anderson Estevan

Os dias eram intermináveis, ou nossa imaginação que nos permitia pensar assim. Eternidade, tudo era eterno naquele espaço, como as pegadas do coelho e as letras garranchadas no caderno de caligrafia. Não pensávamos tanto no amanha, éramos nós mesmos. Criança e adulto, velho e moço, unidos desde sempre, desde a primeira palavra soletrada, o primeiro castigo. Sempre fomos eu e você, nós contra todo o mundo.

A inquietude não me tocava, era livre, um revolucionário da vida. Acho que todos, mesmo que por um ínfimo instante, já se sentiram assim. As idéias, o que quer que saja que brotava na minha cabeça, encaixava-se perfeitamente, não era complexo, prolixo, confuso. Enfim, éramos crianças.

O ninja na janela, o lápis de cor e o hino nacional nos pertenciam, era um grande tesouro. Não havia talvez, dúvida, medo, porque éramos crianças. Fugíamos voando se posse preciso, heróis e vilões surgiam aos montes nos corredores. Trocávamos o arroz doce por bolachas e não comíamos a merenda, afinal, éramos só crianças.

Olhares espertos percorriam tudo com curiosidade, diferentes dos lhos que tudo tentam filtrar. Falávamos coisas sem sentidos, que não conhecíamos, inventávamos letras de musicas que nem existiam. Hoje conhecemos e ainda falamos de forma confusa. Éramos mais espertos, sagazes, despreocupados. Hoje fazemos tudo por impulso, sem pensar, porque ainda continuamos crianças.

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