Orelhão

xxx

Por: Mauricio Lahan Junior

“Crack”!

Faz o barulho da bala de menta mordida, deixando espalhar um ar refrescante por toda a sua boca para tirar o gosto do Conhaque, que a minutos atrás queimava sua linguá e a parte interna de seus lábios.

Ele olha de um lado para o outro naquela madrugada, não consegue enxergar uma alma viva. A chuva cai forte, cada pingo d’água que acerta seu rosto lhe dói enquanto nuvens pesadas e carregadas escondem até mesmo o forte e claro brilho da Lua.

“Hoje não há Lua, não há estrelas. Não há, lá em cima, quem olhe por mim”.

Continuou a caminhar pela calçada vazia, quebrada. Observava muros pichados no centro de São Paulo até ao longe avistar um isolado orelhão.
Neste momento ele se pergunta: “Que horas são?”

Ele não sabe a resposta, mas tem certeza de que toda a cidade dorme.
Se aproxima do orelhão: “Eu sou o Buraco vazio no estomago do John”
Disca alguns números. Números que ele tem guardados na memória mas não se lembra quando foi a primeira vez que os guardou.
Alguém na outra linha atende. Uma mulher. Aquela mulher.
-Aló? Me desculpe por ligar essa hora.
A voz do outro lado da linha se exalta ao perceber quem estava ligando.
-Olha… Escute… Por favor…
Ela não suporta ouvir sua voz.
-Eu só… Por favor… Me diga para onde eu devo ir!?
Ela desliga sem lhe oferecer resposta. Ele se sente perdido.

Não há mais para onde ir.

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