Eu te encaro nos olhos, e você sorri

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Por: Mauricio Lahan Junior

PS: Da um Play la embaixo antes 😉

“Vai lá e diz tudo pra ela”

Foi numa mesa bonita, em um local bem confortável, que um amigo me deu um conselho. Me pergunto se conselhos óbvios são realmente conselhos ou se são apenas parte do processo. De qualquer forma pouco importa, eu me decidi e fui, fiz.
Começa com o café amargo que tomei pela manhã. Mentira. Se passava das 13 horas quando acordei. O café era amargo tanto quanto as palavras que estavam passando pela minha cabeça desde o dia anterior, quando recebi o conselho que contei a cima. Mentira. As palavras eram doces, mas as respostas que imaginei para elas eram tristes… Amargas. É mentira dizer que isso começou no dia anterior. Começou muito antes. Num momento que não sei dizer qual, nem precisar o dia, ou as horas. Mas já faz um bom tempo. Tempo o bastante para eu nem lembrar quanto!
Mas aonde eu estava? Sim no café! O dia todo seguiu desta forma, dando voltas nas mesmas palavras. Uma mudança no roteiro aqui, outra ali, buscando qual a melhor forma de dizer, adivinhando qual seria a resposta.
Ela chegou, despreocupada, sem se aproximar muito, afinal eu estava dando um gelo nela nas ultimas semanas. No fim da aula lhe convidei para uma Cerveja. Duas garrafas de coragem era o que eu precisava, ou pelo menos no que eu acreditava. Ela deu risada. A noite toda. Como a muito não fazíamos. Uma risada só dela, livre, solta, natural, daquele tipo de riso gostoso que você pode escutar a vida toda sem enjoar  te convidando para sorrir em uníssono. A conversa fluiu, como se não houvesse tempo, e não importa quantas vezes os celulares em cima da mesa vibraram, a eles não demos nenhuma atenção. Um momento em que existia apenas nós dois. E já se faz um bom tempo, o bastante para eu nem lembrar quanto, que para mim só existe ela.
As duas garrafas não foram suficientes naquele momento.
Fomos embora do lugar. Mas as risadas e as conversas continuaram. Parecia que tínhamos assuntos de anos atrasados.
Eu estava com tudo pronto na cabeça, e fui me decidindo desta forma:
“Eu falo durante a aula” e depois “Eu falo na mesa do bar” e mais para frente “Eu falo enquanto estivermos indo embora”.
Mas nada. Como um iniciante de palco com medo de esquecer o roteiro na cena principal, ou talvez, medo da reação de seu publico. Talvez a mescla dos dois.
No final, tomei a decisão, e fui, fiz… Antes da despedida. Pedi cinco minutos. Mas era outra mentira, pois durou cerca de quinze. Eu acho. Quando estou com ela o tempo fica em segundo plano.
Lhe disse o tudo. Sobre as dores, as palavras, a esperança, o sentimento e sobre o coração. Sobre como ele se agitava quando ela estava perto. Contei sobre como meus olhos se fixavam em cada detalhe, de cada gesto. Falei sobre como ela é linda e o quanto eu me importava com ela.
Vi que seus olhos se encheram, e de forma tao doce ela disse “eu gosto tanto de você”.
Mas não houve um final feliz. Não foi amargo. Trouxe um alívio, sem surpresas.
E por enquanto… Por um bom tempo, o bastante para eu nem saber dizer quanto, vamos manter assim. Distantes.

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