Sobre o meu Demônio

xaxaxa

Por: Mauricio Lahan Junior

-Boa noite.

Uma voz tranquila e grave. Elegante em seu tom, em suas roupas e em sua postura. Um blazer negro e uma camisa cinza. Cabelos penteados para trás e uma barba bem feita em torno de um queixo alinhado e quadrado. Um Corpo meio atlético, perfeito em proporções. Com um olhar frio, que poderia ler sua alma, e um sorriso fácil, capaz de enganar qualquer mulher.

– Quem é você? E o que faz em minha sala a esta hora da noite!?

Eram três da madrugada e não havia explicações plausíveis para entender como aquele homem estava recostado em minha janela dentro de minha própria casa.

– Eu vim por que você me chamou. Afinal, ninguém levanta a essa hora, quase todas as noites, sem motivos. Sem precisar de ajuda.

Ajuda?

– O que você sabe sobre mim?

Ele sorri desdenhoso

– Tudo…

Sou tomado por um calafrio. Mas quem diabos é essa pessoa?

– Você me faz lembrar um cientista que conheci. Cansado de tudo o que o cerca. Das leis e as formas desde mundo. Eu vejo em seus calmos e recaídos olhos. Você quer conhecer mais, quer tudo o que possa ser lhe oferecido. Você pode ter tudo o que quiser. Basta aceitar a queda. O Fundo do poço.

Mas que maldito abusado! Como pode me provocar dentro de minha própria casa?

– Não adianta negar. Se fazer de honesto. Eu sei o que você quer.
Eu sou aquele que você sempre procurou. Aquele que você sempre teve medo de buscar. Venha comigo! Venha e esqueça esses papéis. Essas contas de todos os meses. Esses personagens falsos que você encontra todos os dias em seu computador e que escondem suas reais vidas entre fotografias alegres.

Estou atônito. Paralisado. Não consigo imaginar quem possa ser este homem.

– Você sabe quem eu sou. Sabe que estou dentro de você. Sou aquele que paira sobre seu ombro esquerdo a cada momento de dúvida.
Mas quem é você? Você é aquele cientista que sabe o que quer, mas tem medo de escolher. É aquele louco que a muito tempo está preso numa caixa, construída por uma tal moralidade, que a bem da verdade é apenas uma desculpa para justificar o seu medo de arriscar.

Demônio!

– Mefistófeles seria o correto. Agora venha. Vamos usar o tempo que lhe resta para aproveitar isso que você chama de vida.

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