O louco do metrô

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Publicado originalmente em Outras Estórias

Pablo adora o metrô. Por mais absurda que essa afirmação possa ser, tem lá o seu fundamento. Diretor de uma multinacional israelense (não adianta, não direi qual), ele faz questão de chegar e sair do trabalho a pé e seguir com o seu ritual de locomoção pelo transporte público.

Pela manhã, Pablo acorda, religiosamente, antes das seis da manhã – mesmo sem precisar – e inicia os seus preparativos. Espalha o seu papaia pelo prato, degustando-o com um croissant de queijo minas e o suco de clorofila. Com o estômago cheio e de banho tomado, segue apressado, com o motorista e os dois seguranças pelas ruas da cidade. Mas não tem problema algum, o seu caminho é contrafluxo. O destino. Itaquera.

Ao descer do automóvel, ele respira fundo e segue pela estação. Os seguranças ficam responsáveis pela sua passagem. O momento mais emocionante está próximo: a hora de entrar no vagão. Ajudado pelos funcionários, consegue sempre um bom lugar no vagão. “O cheiro é maravilhoso”, disse.

Além da variação étnica e da beleza da diversidade, Pablo também destaca a fauna que pode conviver todos os dias. “Mesmo tão cheio, é impressionante quantos pernilongos voam pelo vagão. Quem sabe um dia posso pegar uma dengue?”, enfatizou.

A estação Brás e os trens da CPTM são as suas paradas preferidas. “Meus olhos lacrimejam de emoção. Ver as pessoas entrando e empurrando os outros pelo vagão me lembrou o encontro dos rios Negro e Solimões”.

Com os trens acontece algo semelhante. “Essa coisa de não ter tempo para chegar. Nem como o vagão virá é mágica. É a impermanência. As possibilidades. As veredas infinitas que se bifurcam. Você consegue entender?”

Pablo diz chegar ao trabalho renovado. Pleno. Pronto para enfrentar os seus problemas. “Todo líder deveria fazer isso”. De acordo com ele, o sistema funciona bem, é bem limpo, rápido e climatizado. “Quando atrasa, quase ninguém passa mal. O governador está de parabéns”.

Com isso, Pablo também diminuiu os problemas de atraso, pois seus funcionários não tem mais a desculpa de que “o metrô atrasou”. Se o chefe chega ao trabalho com a ajuda do metrô – e cercado pelos seus seguranças – no horário, não há desculpas para ninguém.

“Definitivamente, São Paulo anda sob trilhos. Quem diz que isso não funciona é porque não se aventura no metrô paulista. Isso aqui é tudo de bom”, diz apressado. O piloto do helicóptero o espera para levá-lo para casa.

E com um sorriso amarelo, diz:  “Não faço isso normalmente, prefiro o metrô. Mas estou atrasado”.

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