Jantando com meus Demônios

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Por: Mauricio Lahan Junior

-Hehehe…

Uma voz grave e arranhada se espalha dentro da sala.
Lábios grossos e molhados, como se estivesse com apetite e agua na boca.
Um senhor alto e corpulento está sentado de frente a mim, com um casaco de peles pesado em volta aos ombros, uma camisa escura aberta no pescoço ostentando pelos crespos e emaranhados no peito e numa barba cheia. Sua cabeça é raspada e marcada por uma cicatriz ao lado direito. Este homem tem um olhar feroz como se estivesse pronto para me dilacerar.

-Mantenha sua postura Baal. É ridícula essa ansiedade por mais uma alma qualquer.

O senhor ao seu lado é bem diferente. Usa um blazer negro com um corte na cintura, uma camisa de seda vermelha presa a uma gravata preta e fina. Este tem a barba feita, um rosto liso e delicado com cabelos curtos e bem penteados. Seus olhos são azuis como o mais belo oceano cristalino. Sua postura é firme, com suas pernas cruzadas e coluna ereta. Um perfeito cavalheiro.

-É um prazer poder conhecê-lo rapaz!

Ele sorri para mim. Maldito. No fundo, quer a minha alma tanto quanto os outros dois.
Sim há mais um sentado à mesa. Uma figura que não expressa nenhuma reação. Este está com o corpo desnudo e parece pouco se importar com os outros dois. Tem cabelos soltos e bagunçados. Seu rosto é frio e duro, coberto por uma barba mal feita e um nariz fino. Fica a brincar com uma cobra em cima da mesa a sua frente, lhe fazendo caricias e deixando-a deslizar por suas mãos.

-Vejo que você não é de muitas palavras rapaz! Eu me chamo Belial e serei o porta voz de meus dois amigos aqui. O grandalhão nojento se chama Baal e aquele selvagem do outro lado sem roupas se chama Astaroth. É em nossa majestosa companhia que você irá jantar hoje!

Ao meu lado está Mefisto. Com seu sobretudo de inverno negro e elegante, somado a um chapéu igualmente pomposo. Meu amigo e companheiro de viagens, pois se aqui estou não foi por falta de avisos. Ele faz uma reverencia aos três malditos que estão na mesa e diz:

-Meus senhores, assim como lhes foi prometido, eu trouxe o culpado! Não houve sequer juízes a lhe julgar, pois partiu da própria alma a condenação de sua sentença.

Após sua fala, das sombras uma criatura surge. Usando uma vestimenta dourada abaixo da cintura, mas sem nada a cima dela. Uma horrenda cabeça de Chacal do deserto Negro carregando um prato até nós.
Ele serve a mesa um coração pulsante e vivo, mas fraco e escuro.
Sinto um vazio enorme dentro de mim quando olho para aquilo. Dói. Mas eu mereço. Eu escolhi que fosse assim.

-Magnifico! Senhores? Vamos nos servir!

Após o Convite de Belial a seus iguais a sala é infestada pelo urro e a gargalhada alegre de Baal.
Hoje eu matei e morri. Por fim, sentei-me a mesa com Demônios internos.
Esta noite eles irão festejar.