Mastigando fatos

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Publicado também em Outras Estórias

Esse conto é uma continuação informal do post 14º andar

Mascar um chiclete era a sua terapia predileta. O delicado gesto lhe conferia uma série de sensações que tiravam toda a tensão e os pequenos espasmos musculares produzidos pela concentração que o seu trabalho lhe exigia. Além da respiração, é claro. Seis aulas de yoga e já conseguia ver os benefícios na concentração e na clareza de pensamento.

O café também permanecia inseparável. Morno, descafeinado e com adoçante, afinal, tinha de cuidar da saúde, o pequeno copo para viagem se mantinha na pequena mureta, esfriando. Há poucas coisas na vida que sejam tão desanimadoras quanto a frustração de descobrir que o seu café perdeu a magia das bebidas quentes. Por isso, entre um ajuste e outro, interrompia o mastigar da goma e bebericava o extrato do nobre grão.

Sussurrou reclamando o frio que fazia e puxou as mangas do casaco. A mescla de vento e água beliscava os seus punhos, que permaneciam arrepiados. A espera a estava deixando aborrecida. Teve tempo suficiente para terminar a maquiagem, prender os cabelos, que teimavam em cair nos olhos, e atualizar-se de todas as novidades das redes sociais. E nada dele.

Olhou novamente no relógio e lá estava. Atrasado como sempre. Porém, sem o menor traço de preocupação. Sempre fora assim. Livre, desimpedido, uma espécie de espirito livre e sem amarras. Certa preguiça guiava o seu caminhar, assim como os velhos chinelos e as meias esgarçadas. A calça de moletom e a camisa amarrotada, assim como os cabelos despenteados e a barba por fazer, poderiam colocar em dúvida a qualquer um que lhe conhecia. Mas, para ela, não havia uma dúvida sequer: era o seu escritor.

Ele não era popular. Quase anônimo. Não para ela. Quase um ano de observações ininterruptas e tudo o que ele pôde produzir foi aquele livro patético? Quem ele acha que é? Hemingway? Kafka? Tolstói? Ao invés de tomar café, ele deveria estar produzindo o maior romance já feito. Aquilo não poderia mais continuar.

Voltou a mascar o chiclete e o assistiu, com seus passos vagarosos, cruzar a cafeteria e chegar ao caixa. Pediu o mesmo café com leite e os pães de queijo de sempre. Pagou em cédulas, pois, como já havia deixado claro em uma entrevista a um blog underground, odiava cartões de crédito, e voltou caminhando para a mesma mesa do lado de fora. Ao contrário dela, o escritor adorava o frio.

Sentou-se e estendeu o jornal, escondendo-se completamente sob o manto de notícias. Melhor assim.

Que previsível, ela sussurrou enquanto fazia os últimos ajustes no rifle. Quantas e quantas vezes havia feito as contas para que o disparo seja o mais limpo e sonoro possível. Muitos vão achar que ele padeceu de um mal súbito. Era só uma questão de relaxar e deixar o M14 fazer a sua parte. O tripé, assim como a correia estavam prontos, a mira eletrônica também.  Graças à internet poderia cumprir à risca o seu plano traçado minuciosamente por mais de um ano.

PAM! O baque surdo do rifle quase deslocou o seu ombro direito. Assim como tinha imaginado, o estrondo saiu limpo e alcançou o seu alvo com precisão suíça. Embrulhado no jornal ele jazia estatelado sobre a mesa do pequeno café. O que restava dos músculos do seu coração agora eram metal e pólvora. Morreu em menos de um segundo.

Esboçou um sorriso. Quase chorou de emoção. Todos agora sairiam ganhando. O dono do café faria do lugar um ponto turístico. Ele, o escritor, finalmente alcançaria o sucesso, após a morte trágica. E ela, por sua vez, seria a única a ter todos os livros autografados pelo seu escritor favorito.

Ela mal podia se conter. Mordeu os lábios para conter o sorriso e saiu caminhando calmamente enquanto o som das sirenes aumentava exponencialmente. Olhou para o céu e piscou somente o olho direito. Em seguida indagou a si mesma:

– “Que tal, escritor? Arrume um final melhor que esse.

Vento em Esperanto!

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Por: Mauricio Lahan Jr

Eu não fico pedindo comentários nos meus textos (isso aconteceu apenas uma vez) mas dessa vez eu gostaria que todos que pudessem ler esse post fizessem um comentário sobre o trabalho do pessoal que vou apresentar aqui 😀

Fiz uma pequena entrevista com o vocalista de uma banda do caralho que conheci! Eeeeeeee acho realmente importante divulgar, apoiar e incentivar o sonho de bandas independentes, afinal este um dia foi o meu sonho também ~~

  • Vamos la! Qual seu nome e o que te motivou a tocar numa banda?

Olá, eu sou o Vitor Hugo, sou vocalista e guitarrista da Vento em Esperanto. Bom eu sempre tive uma “quedinha” por musica, desde pequeno eu já cantava e fazia altos barulhos em casa. O ambiente onde moro sempre foi cercado por musica, das mais variadas. O meu irmão mais velho foi membro de um grupo musical e eu sempre quis aquilo para mim. Então desde pequeno eu sentia que a musica me trazia sentimentos diferentes.

  • Quantos integrantes fazem parte do Vento em Esperanto? Pretendem aumentar o numero?

A banda é bem grande, o formato principal conta com 4 membros e mais um amigo no trompete, agora vamos contar com mais uns companheiros que iram gravar o próximo disco conosco.

  • Foi você que teve a ideia de iniciar a banda?

Sim, eu tinha deixado minha banda antiga e partir para fazer um som novo.

  • Quem escreve as letras? E as musicas?

Bom, eu componho a maioria dos sons, mas os outros integrantes também possuem algumas letras. A melodia eu costumo compor junto com a letra, mas eles sempre ajudam a dar energia para o som.

  • O que você gostaria de adicionar a sua banda? Algo que você ainda sente falta.

Eu acho que quando um instrumento é bem tocado, quando conta com amor e dedicação, ele sempre soma no som. Independentemente de ter sido ou não usado naquele estilo. O nosso som me agrada muito, mas se pudesse contaria com mais instrumentos, formaria uma big Band.

  • Sobre o mundo da noite. Existe uma disputa grande entre bandas novas e bandas covers?

Não diria disputa, mas você tem uma espécie de tradição em diversas casas de show. Por exemplo, uma casa de show que costuma receber bandas que tocam apenas covers, ao receber uma banda que faz som próprio sofre um estranhamento. Muitas vezes aquele publico espera por “mais do mesmo” e não estão afim de ouvir novos sons. No nosso caso levantamos a cabeça e tocamos nosso som com a maior energia.

  • O FaceBook é Melhor que a Mtv?

A mtv revelava muita gente não é ? Muitos conheciam bandas por ali, mas sabemos que muitas coisas envolvem a entrada de uma banda na mídia( ate mesmo a mtv). Eu acho o Facebook um pouco mais independente, você convive com o acesso livre e, as vezes com pessoas que curtem seu som sem ter ouvido. Mas faz parte !

  • Como você define o estilo de suas músicas?

Eu tento, mas não consigo. Não tenho habilidade para isso. Porem, as pessoas já fizeram algumas definições, por exemplo: Pós-tropicalista, soul, blues, mpb, indie. Acho que somos um pouco de tudo isso.

  • Tem algo grande que você gostaria de conquistar pela sua banda?

Gostaria de conquistar pessoas, passar a mensagem, sentir que o nosso som possui um significado ou que desperta sentimentos.

  • Conte-nos 3 grandes inspirações

As três principais para mim são: Lenine, novos baianos e caetano veloso.

  • Bonus Stage! Se alguém gritar você toca Raul?

*Risos* Difícil, essa brincadeira sempre chega de uma maneira mais forte por que o baterista se chama Raul, então já deu para imaginar né ? Eu toco mais uma do Caetano e fica tudo certo.

  • Espaço aberto! Fale qualquer coisa que quiser ~~

Enfim, a Vento em Esperanto é uma banda nova, com ideias novas e que deseja conquistar o coração e ouvidos de muitos. Sempre faremos nosso som com dedicação e pedimos liberdade para aqueles que querem demonstrar o talento. Acho que temos que nos permitir mais, dar mais oportunidades. Tem uma galera boa por ai!

Foi muito bacana fazer essa entrevista! O Vitor foi muito receptivo e desejo todo o sucesso a galera e ao trabalho deles.. Agora quero todo mundo cantando comigo “Maaaaalllíiiccciaaaa” ~~

FaceBook: Vento Em Esperanto

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Silêncio

A-Voz-do-Silencio-Martha-Medeiros

Por: Mauricio Lahan Jr

Silêncio!
Silenciamos nós mesmos.
E hoje não me atrevo a pedir perdão.

Joguei ao vento
Para que toda criatura e natureza pudesse ouvir
Códigos e mensagens. Indelicadezas e sentimentos.
Pois foi com esperança que esperei.
Que um dia você pudesse entender, pudesse lembrar e talvez sentir.
Como foram àquelas manhãs que não acontecerão.

E senti tanto sua falta.
Por tanto tempo.
De tantas formas.
Sobre tantas coisas.

Esse silêncio.
Era cômodo. Acomodado. Acostumado.
Nos deu tempo para pensar com calma.
Para que pudéssemos crescer e amadurecer.
Ahh e como tudo dentro de nós deve ter mudado.

A impossibilidade do amor.

De alguma forma trouxe algo bom.
Afastou nossas rusgas.
Nossos desentendimentos e teimosias.

Nos fez pedir tantas desculpas.
Nos fez perdoar tantas vezes.

Talvez,
Hoje possamos sentir de forma mais leve,
Viver de forma mais leve.
De forma mais segura.
Sem muitas ilusões.

Nós sofremos.
Ahh.. E como sofremos.
Mas quem sabe
[Talvez um dia]
Possamos encontrar um mundo de real afeto.
De belezas e delícias adocicadas.

E neste mundo não seremos mais açoitados!
Por nossos medos,
Nossas imperfeições,
Nem mesmo por nossa impulsividade.

Fomos um bom exemplo!
Escola para nossas vidas.
Uma prevenção para erros futuros.
Buscando um no outro uma cura,
Não por covardia.
Isso não,
NÃO,
Não mesmo.
Mas com verdadeiro afeto
Um pelo outro
Por Amor.

Silenciamos a nós dois.
E não me atrevo a pedir mais nada.

Eu conheci lugares.
Pessoas.
Uma vida nova.
E em meio a esse caminho fiz algumas paragens.
Em nossos encontros naquelas manhãs.
Lembrava-me que já não era mais real.
E seguia em frente.

Mas ainda comigo eu carrego muitas coisas,
Que escrevi e pensei.
Sem que um dia tenhas
Notado que deixei você ir.

O Amor mora no silencio.
Muitas vezes morre com ele.
E tantas outras vive eternamente reservado.

Eu fui 2015

2015

Por: Mauricio Lahan Jr

Foi!

Está quase no fim. Um ano inteiro. Um ciclo inteiro.

Começou em Brasília, no Planalto Central. Terra de Renato. Um ano que encontrei força e determinação para militar. Para lutar por aquilo que acredito. Para sentir o vazio quando percebi que A causa ficou em segundo plano.

Foram tantas amizades novas. Algumas com raízes profundas, outras tantas banais. Uma antiga, em especial, quebrou “sabendo-se lá” quando vai se concertar.

Foi o ano para um novo grande Amor! Daqueles de filmes, novelas ou romances literários. Quase platônico, quase impossível. Que terminou em dor. Mais para o lado de lá do que para o lado de cá. Mas não foi apenas um Amor. Houve mais. Um antigo se apresentou como novo. Morreu antes de renascer e de euforia tornou-se silêncio.

Yeah, I’m a lucky man, to count on both hands the ones I love

Houve um projeto que se concretizou. Estou formado! Professor. Viu, eu consegui. Mas ainda não acabou. Outro projeto começou. Espero que ao fim do próximo ano possa escrever “Agora comecei o Mestrado”. Também espero que ai de cima você esteja feliz.

Se existe algo que gostaria de manter para o próximo ano são as mudanças. Constantes e drásticas. Mudanças ao meu redor. Sobre as coisas, as pessoas. Sobre mim mesmo. Mudanças internas.

Eu odeio as mudanças.

Mas minha barba cresceu e “No espelho essa cara já não é minha“. Isso deve ser algo bom afinal.

And so Sally can wait
She knows it’s too late
As we’re walking on by
Her soul slides away
“But don’t look back in anger!”
I heard you say

asasasasa

 

PRÊMIO DARDOS

Prêmio Dardos é uma espécie de selo virtual criado em 2008 pelo escritor Alberto Zambade, autor do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras. Ele selecionou e indicou o selo a quinze blogs que ele considerou merecedores do prêmio, os quais também indicaram outros 15 e assim sucessivamente, criando uma imensa corrente na internet.

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O objetivo do Prêmio Dardos é reconhecer os esforços de blogueiros, a cada dia, para transmitir princípios culturais, éticos, literários, pessoais etc., manifestando a criatividade através de seus pensamentos presentes em suas palavras e textos.

  • Regras do Prêmio Dardos
    Indicar os blogs que preencham os requisitos acima para receber o prêmio.
  • Exibir a imagem do selo.
  • Mencionar o blog de que recebeu a indicação e pôr o link dele.
  • Avisar aos blogs escolhidos.

Nós do “Crime sem Castigo” agradecemos imensamente o reconhecimento da Equipe do Blog “Lendo Muito“! O Crime sem Castigo nasceu com a ideia de defender a escrita livre, acreditando que não é necessário ser um Best Seller para se criar conteúdos produtivos e de grande valor. Por isso nós nos sentimos muito contentes pelo reconhecimento, mesmo tendo nossa forma de escrita aberta e sem culpa.

PS: Possivelmente Blogs aqui citados já devem ter recebido o mesmo reconhecimento, mas acredito que ainda permanece o valor de prestar a mesma homenagem 🙂

Blog Outras Estorias

Blog Since 85

Blog Desconstruindo Tati

Blog Yellow

Blog Nunca será Dois

Blog do Matheus de Souza

Blog Acasos

Blog Quase em Crise?

Blog Projeto Existir

Blog Antonais do Silencio

Blog Reino das Palavras

Blog Loucuras de Júlia

Blog Planning My Nomadic Life

Blog Odeio Sagu

Blog As Meninas do Cabelo Laranja

Os blogs que escolhi são de temas e assuntos variados, porém ao meu ver possuem uma escrita maravilhosa e muito cativante ~~

Cinco segundos e o que vem depois…

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Publicado também em Outras Estorias

O farfalhar das teclas incomodava. Aliás, quando não incomodou. O lapso temporal entre a intenção, as relações neurais, os eletrochoques e a ação motora é quase instantâneo. Como é que tudo pode ser tão acelerado? Antes mesmo de concluir o pensamento, a palavra já migrou do mundo analógico, que chamamos de real, para um ambiente gasoso, invisível, que apelidamos de internet. Isso sim é magia.

Em menos de um segundo, um simples desejo se materializou em ação, escorreu entre os dedos e se transformou em um oceano binário, que explodia em luz na tela do computador. Era mais um dia de digitação pesada para Melquíades.

Mal lembrava-se como era escrever à mão. Sustentava cada clique e campainha – eram muitas, uma de cada rede social – com uma reação distinta. Do assovio, levantava apenas a sobrancelha; da campainha, apenas sorria; quando soava o clique, apressava-se para visualizá-la. Com a maestria de um Mozart, comandava essa verdadeira sinfonia de ruídos com as pontas dos dedos. Cansou-se. Era um sinal do corpo de que aquilo se esgotara.

Prestes a entregar os pontos, sentiu os ouvidos arranharem mais uma vez. Assim que o relógio alcançou a décima segunda unidade de tempo, dissipou-se a sua angústia, ao menos por alguns instantes. Após longas e intermináveis horas, a vida desenrolava-se, mesmo aos poucos, para que pudesse tornar-se algo. Até então, ao menos nesse dia, fora somente objeto.

Respirou fundo a poluição da cidade e sentiu-a rasgar suas narinas assim que colocou os pés na rua. E arrastando-se, continuou até que um pingo d’água lhe atingisse o nariz. Espanto. E novamente o cérebro trabalhando. O simples contato inesperado entre elemento e elementar produziu uma onda generalizada de tremores e formigamentos em todo o seu corpo. O cheiro da chuva se destacou dos demais.

Sem que pudesse se dar conta disso, o seu sistema nervoso acelerou seus batimentos cardíacos. Outro choque e o sistema límbico gerou uma resposta imediata ao organismo. Com isso, noradrenalina e serotonina são liberadas e jorram com destino certo. Ao receber o estímulo, o sistema nervoso independente contrai e estressa as glândulas em questão. Uma lagrima escorre pela bochecha, atravessando ligeira a barba mal feita.

O que se nota a seguir é uma profusão de água, que se mistura, quase instantânea, quando o céu desaba sobre o homem inerte à beira da calçada. Não se sabe se a tempestade vem de dentro ou fora. O que se pode ter certeza, além das inúmeras certezas absolutas que qualquer um pode ter, é que ele fora tocado pela liberdade. E, para isso, não há remédio.

Por mensagens

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Por: Mauricio Lahan Jr

Eu gosto de observar. Gosto de não apenas olhar, mas também adoro conhecer. Será isso minha sina? Meu pedaço de psicose? Sim. Por tudo aquilo que me chame atenção. Eu tento, ao máximo, descobrir cada detalhe, sobre cada linha de sua história. Seja o que for. Um prédio, uma música, um livro ou uma cidade inteira. Mas, recentemente, estive de olho em algo novo.

Estive observando uma garota nos últimos tempos. Quando a encontrei estava em frente a lente de uma câmera. De pele morena, em um tom chocolate avelã, com cabelos, negros e lisos, jogados sobre o ombro esquerdo, sentada em uma estrutura quadrada de pedra, segurava uma de suas pernas pelo joelho. Ahh.. Que pernas. Daqui, de longe, elas parecem tão firmes.

Vestia-se com roupas simples. Blusinha preta, um shorts jeans curto e uma botinha escura. Mas ainda havia alguns detalhes. Um óculos, uma correntinha prateada e um laço amarrado em torno a cabeça. Vermelho.

Aquelas pernas. Aquele laço vermelho. Ainda haviam outros detalhes. O seu olhar, somado a um sorriso discreto, faz chamar minha atenção. Eu quero aquela foto. Eu quero conhece-la.

Continuei observando-a de longe. Conheci pessoas ao seu redor. Busquei por mais alguns detalhes. Futura professora, gosta de ouvir Legião Urbana para se definir. Uma… Comunista? Tudo bem. Eu adoro Vermelho.

Ela soube sobre mim. Não importa. Eu gosto de um jogo jogado por dois. Mas, preciso ir a fundo. Lhe escrevi uma mensagem. Duas. Algumas. E as respostas? Ahh… Que mulher!

Disse que não poderia sonhar. Que viveria por suas metas com os pés no chão. É mentira. Talvez ela nem mesmo saiba que está mentindo. Afinal, se quer ser uma revolucionária, precisa aprender a voar! Ter um sonho, um ideal pelo qual lutar.

Mas ainda é pouco.

Quem é você? Foi a próxima pergunta. Uma eterna metamorfose. Foi a resposta. Pronto. Atiçou minha curiosidade.

Preciso de mais. Como posso chegar perto? Lhe questiono sobre as pessoas ao seu redor. Ela responde com sobriedade. Diz que todas fazem parte de uma construção social – mulher inteligente – mas que é tolerante a erros.

Droga. A morena é imprevisível. Começo a ficar empolgado. As perguntas surgem de uma só vez em minha cabeça. Há tanto que preciso saber. Não. Desta vez sou eu que estou mentindo. Eu não preciso saber. Mas quero saber.

Já sei! Um desafio! Algo realmente grande. A próxima mensagem que escrevo é sobre o mundo todo! Sobre tudo.

– Posso viver mil anos e não vou saber te responder, é muito complexo.

Ela não cai na armadilha. A menina não é fútil. Não é o tipo de pessoa que pensa conhecer sobre tudo. Mas e eu? Estou preso. Envolvido demais. Preciso parar… Ir devagar. Não posso deixar que ela tome o controle.

Mas preciso de uma ultima jogada. Preciso de algo mais. Alguma coisa profunda.

– O que é amar para você?

Essa foi a ultima mensagem. A ultima pergunta. Por enquanto pelo menos. A resposta? É minha.

Crie você a sua.

Nossa primeira Viagem

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Okay, é mais uma com musica… Mas.. Sei la.. Da aquele play la embaixo antes 😉

O ponteiro estralava por volta de 115 km/h

A garota ao meu lado pegava um bolo de notas e o cheirava profunda e longamente. Depois jogava sua cabeça para trás e gargalhava alto, de forma gostosa como aquelas crianças que aparecem em virais de internet.

Estava com um vestidinho rodado, preto com bolinhas brancas. Sua franja estava bagunçada, devido ao vento da estrada, mesmo assim era lindo ver como combinavam seus cabelos negros, sua pele bem branquinha e suas tatuagens coloridas. Duas rosas na altura dos ombros e no centro de seus seios uma caveira sem mandíbula, apenas com a parte de cima do cranio. Ela era sexy e quente. Com um pequeno piercing de bolinha prateada no canto esquerdo do busso e um batom vermelho, que deixavam seus lábios enormes, completava seu estilo Pin Up usando um óculos grande e arredondado.

– Eu faço de tudo para te ver rindo deste jeito pelo resto da vida.

Ela sorri de forma leve e passa a mão nos pelos da minha curta barba.

Eu estou de terno, gravata, calça e sapatos pretos. Junto a uma camisa branca eram esses os itens do meu uniforme de motorista.

Com seus dedos finos ela puxa meu queixo tirando toda a visão da estrada ao me olhar nos olhos.

– Nós vamos Foder o Mundo Todo!

Depois do beijo, e uma forte mordida no meu lábio inferior, ela me solta e aumenta o som do Carro até o ultimo volume gritando:

– É a Nossa MUSICA Baby!

You Only Live Once do Strokes sempre foi a nossa preferida.

Já não importa mais as consequências. Os três milhões de reais que estavam guardados embaixo da cama do velho Mathias, dentro de um fundo falso no chão, estão agora em bolsas na traseira do carro e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Ele dizia que não confiava nos bancos. Uma velha mania para um velho com muito dinheiro.

Ela belisca minha bochecha e faz com que eu caia em mim novamente.

Balançando os ombros e o queixo faz algumas caretas cantando bem alto

I can’t see the SUNSHIIIINE!,
Ela aperta as mãos sobre o peito
I’ll be waiting for you, baby,
Fecha a cara
‘Cause I’m through

Decido entrar na onda e relaxar meus ombros, enquanto ela começa a jogar nossos RGs originais pela janela, levantar os braços e dançar nós cantamos:

– SIT ME DOWWNNN
SHUT ME UUUUP!!!
I’LL CALM DOWN,
AND I’LL GET ALONNNG  WITH YOU!

 

14º andar

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Por Anderson Estevan

 

Publicado Originalmente no blog Outras Estorias

 

A chave dançava ligeira ao redor da fechadura. É o álcool começando a inebriar os seus sentidos, pensou Alice. Quem diria que meia hora e cinco copos de cerveja depois, o drive do mundo estaria no modo very hard? Pois é. Se o tempo pudesse ser retrocedido, como um relógio de corda, o faria sem pensar. Nesse momento, cada segundo era essencial.

Click! A chave decidiu cumprir a sua função. Uma… Duas… E logo a porta estava aberta.

Meio desequilibrada, mas com uma destreza ímpar, levantou uma perna e depois a outra. Os sapatos voaram leves, como falcões imperiais, pela sala cuidadosamente limpa. Antes de atingirem a parede e a mesa de centro, respectivamente, ela já estava com o corpo colado na grande janela que permeia quase um quarto do cômodo.

– Oba! Está aceso, sussurrou.

Como se desperta de um sonho, sacudiu o corpo, e correu em direção à pequena cozinha.

Água quente, panela e macarrão instantâneo. Três minutos depois, com um pouco de química e modernidade, lá estava o seu jantar pronto e servido em um pote fundo de sopa. Fumegante, a mistura batia profunda em seu estômago. Dizem que a fome pode fazer milagres.

Rapidamente ela voltou ao seu posto. Com os olhos atentos sob um binóculo, ajustava a visão até chegar ao conjunto de janelas tão familiar. Eram do condomínio em frente ao seu. Um andar ou dois, talvez. Sem persianas ou cortinas. Quando se queria dormir naquele apartamento, fechava-se as janelas.

Mas dessa vez, como quase todos os dias, ele estava lá. Roendo um pedaço de lápis e encarando uma folha em branco. Eis o escritor. O seu escritor. O que embalou anos e anos de suspiros e leituras adolescentes. Nem um pouco bonito, feio, aliás, ele ainda continuava a ser o escritor. Conseguir esse apartamento, com essa localização estratégica, foi um verdadeiro achado. Quem poderia imaginar que o escritor estivesse apenas há algumas janelas de distância.

Poderia ser excitante, mas foi se convertendo em um lamento frustrante. Desde que começara a espioná-lo, nem uma só palavra havia sido escrita. Será que a sua curiosidade havia convertido a inspiração do pobre escritor em tédio? Ao menos até o momento.

– Ui, exclamou, quando, após muito tempo, ele começou a rabiscar o lápis pelo papel.

Em vão, tentava identificar o que estava sendo escrito, porém o braço comprido do escritor a impedia.

Com a mesma rapidez que começou, o escritor também terminou seu rascunho, saindo do raio de visão de Alice. Finalmente conseguiria ver o que tanto atormentava o escritor.

Sem fazer muita força, ajustou o binóculo e foi lendo, letra a letra, a frase que se desenhava em grafite pelo papel.

NÃO SOUBE O QUE DIZER… OI, TALVEZ? TUDO BEM? BELO BINÓCULO…

Uma súbita tontura pareceu remexer todo o apartamento. A cabeça de Alice girava, assim como as suas pernas. Aquilo não podia ser real. Não poderia. Era apenas o álcool lhe pregando uma peça.

Sem ter coragem suficiente para tirar sua dúvida, fechou lentamente a cortina e voltou para o seu macarrão instantâneo, que agora jazia gelado. Sem misericórdia, deu duas garfadas no emaranhado de fios de trigo e os enfiou na boca. Enquanto mastigava, passou os dedos pelo controle, mas não ligou a tevê. Só conseguia pensar em como essa vida é louca.

Foi em 1 de Junho de 2012

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Aquele Play bacana la embaixo 😉

-Cade seu RG?

-Eu não trouxe!

“Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor”

Era assim. Totalmente imprevisível!

-Mas relaxa que a gente da um jeito de entrar de qualquer forma.

A casa estava cheia. Afinal os barbudinhos não tocavam mais juntos a muito tempo. Era o tipo de evento que você tinha obrigação de ir, pois talvez não houvesse outra oportunidade.

“E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena”

Fomos até o bar. Pedimos uma Heineken e uma dose de Whisky, puro apenas com gelo. Voltamos ao meio do povo. Eu sorria, igual um idiota, para tentar relaxar. Pode parecer estranho, afinal tínhamos anos de amizade, mas eu ainda ficava meio sem jeito perto dela. Não sabia exatamente o que estava pensando, mesmo sempre me dizendo que eu a entendia como ninguém.

“Ah, vai
Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar”

A música era a melhor possível! Algo que estava em nós dois. Que nos fazia viajar longe. Que nos separava do resto do mundo.

Não me lembro bem se foi eu quem a puxou ou se foi ela que me enlaçou.

“Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê, deve não ser
Você me falou pr’eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor”

Mas sei que estávamos bem juntinhos. Olhares fixos e sorrisos largos. Sentindo nossa respiração. E, sem ter como explicar, o lugar pareceu tão vazio. Só havia a musica. Cantávamos em nossas bocas. Aquela musica…

“Ah, vai
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona
Pra te acompanhar”

É… Já se faz tantos anos. E no fim… acho que perdi a hora afinal.