Nossa primeira Viagem

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Okay, é mais uma com musica… Mas.. Sei la.. Da aquele play la embaixo antes 😉

O ponteiro estralava por volta de 115 km/h

A garota ao meu lado pegava um bolo de notas e o cheirava profunda e longamente. Depois jogava sua cabeça para trás e gargalhava alto, de forma gostosa como aquelas crianças que aparecem em virais de internet.

Estava com um vestidinho rodado, preto com bolinhas brancas. Sua franja estava bagunçada, devido ao vento da estrada, mesmo assim era lindo ver como combinavam seus cabelos negros, sua pele bem branquinha e suas tatuagens coloridas. Duas rosas na altura dos ombros e no centro de seus seios uma caveira sem mandíbula, apenas com a parte de cima do cranio. Ela era sexy e quente. Com um pequeno piercing de bolinha prateada no canto esquerdo do busso e um batom vermelho, que deixavam seus lábios enormes, completava seu estilo Pin Up usando um óculos grande e arredondado.

– Eu faço de tudo para te ver rindo deste jeito pelo resto da vida.

Ela sorri de forma leve e passa a mão nos pelos da minha curta barba.

Eu estou de terno, gravata, calça e sapatos pretos. Junto a uma camisa branca eram esses os itens do meu uniforme de motorista.

Com seus dedos finos ela puxa meu queixo tirando toda a visão da estrada ao me olhar nos olhos.

– Nós vamos Foder o Mundo Todo!

Depois do beijo, e uma forte mordida no meu lábio inferior, ela me solta e aumenta o som do Carro até o ultimo volume gritando:

– É a Nossa MUSICA Baby!

You Only Live Once do Strokes sempre foi a nossa preferida.

Já não importa mais as consequências. Os três milhões de reais que estavam guardados embaixo da cama do velho Mathias, dentro de um fundo falso no chão, estão agora em bolsas na traseira do carro e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Ele dizia que não confiava nos bancos. Uma velha mania para um velho com muito dinheiro.

Ela belisca minha bochecha e faz com que eu caia em mim novamente.

Balançando os ombros e o queixo faz algumas caretas cantando bem alto

I can’t see the SUNSHIIIINE!,
Ela aperta as mãos sobre o peito
I’ll be waiting for you, baby,
Fecha a cara
‘Cause I’m through

Decido entrar na onda e relaxar meus ombros, enquanto ela começa a jogar nossos RGs originais pela janela, levantar os braços e dançar nós cantamos:

– SIT ME DOWWNNN
SHUT ME UUUUP!!!
I’LL CALM DOWN,
AND I’LL GET ALONNNG  WITH YOU!

 

14º andar

thehotel06

 

Por Anderson Estevan

 

Publicado Originalmente no blog Outras Estorias

 

A chave dançava ligeira ao redor da fechadura. É o álcool começando a inebriar os seus sentidos, pensou Alice. Quem diria que meia hora e cinco copos de cerveja depois, o drive do mundo estaria no modo very hard? Pois é. Se o tempo pudesse ser retrocedido, como um relógio de corda, o faria sem pensar. Nesse momento, cada segundo era essencial.

Click! A chave decidiu cumprir a sua função. Uma… Duas… E logo a porta estava aberta.

Meio desequilibrada, mas com uma destreza ímpar, levantou uma perna e depois a outra. Os sapatos voaram leves, como falcões imperiais, pela sala cuidadosamente limpa. Antes de atingirem a parede e a mesa de centro, respectivamente, ela já estava com o corpo colado na grande janela que permeia quase um quarto do cômodo.

– Oba! Está aceso, sussurrou.

Como se desperta de um sonho, sacudiu o corpo, e correu em direção à pequena cozinha.

Água quente, panela e macarrão instantâneo. Três minutos depois, com um pouco de química e modernidade, lá estava o seu jantar pronto e servido em um pote fundo de sopa. Fumegante, a mistura batia profunda em seu estômago. Dizem que a fome pode fazer milagres.

Rapidamente ela voltou ao seu posto. Com os olhos atentos sob um binóculo, ajustava a visão até chegar ao conjunto de janelas tão familiar. Eram do condomínio em frente ao seu. Um andar ou dois, talvez. Sem persianas ou cortinas. Quando se queria dormir naquele apartamento, fechava-se as janelas.

Mas dessa vez, como quase todos os dias, ele estava lá. Roendo um pedaço de lápis e encarando uma folha em branco. Eis o escritor. O seu escritor. O que embalou anos e anos de suspiros e leituras adolescentes. Nem um pouco bonito, feio, aliás, ele ainda continuava a ser o escritor. Conseguir esse apartamento, com essa localização estratégica, foi um verdadeiro achado. Quem poderia imaginar que o escritor estivesse apenas há algumas janelas de distância.

Poderia ser excitante, mas foi se convertendo em um lamento frustrante. Desde que começara a espioná-lo, nem uma só palavra havia sido escrita. Será que a sua curiosidade havia convertido a inspiração do pobre escritor em tédio? Ao menos até o momento.

– Ui, exclamou, quando, após muito tempo, ele começou a rabiscar o lápis pelo papel.

Em vão, tentava identificar o que estava sendo escrito, porém o braço comprido do escritor a impedia.

Com a mesma rapidez que começou, o escritor também terminou seu rascunho, saindo do raio de visão de Alice. Finalmente conseguiria ver o que tanto atormentava o escritor.

Sem fazer muita força, ajustou o binóculo e foi lendo, letra a letra, a frase que se desenhava em grafite pelo papel.

NÃO SOUBE O QUE DIZER… OI, TALVEZ? TUDO BEM? BELO BINÓCULO…

Uma súbita tontura pareceu remexer todo o apartamento. A cabeça de Alice girava, assim como as suas pernas. Aquilo não podia ser real. Não poderia. Era apenas o álcool lhe pregando uma peça.

Sem ter coragem suficiente para tirar sua dúvida, fechou lentamente a cortina e voltou para o seu macarrão instantâneo, que agora jazia gelado. Sem misericórdia, deu duas garfadas no emaranhado de fios de trigo e os enfiou na boca. Enquanto mastigava, passou os dedos pelo controle, mas não ligou a tevê. Só conseguia pensar em como essa vida é louca.

Foi em 1 de Junho de 2012

los

Por: Mauricio Lahan Jr

* Aquele Play bacana la embaixo 😉

-Cade seu RG?

-Eu não trouxe!

“Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor”

Era assim. Totalmente imprevisível!

-Mas relaxa que a gente da um jeito de entrar de qualquer forma.

A casa estava cheia. Afinal os barbudinhos não tocavam mais juntos a muito tempo. Era o tipo de evento que você tinha obrigação de ir, pois talvez não houvesse outra oportunidade.

“E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena”

Fomos até o bar. Pedimos uma Heineken e uma dose de Whisky, puro apenas com gelo. Voltamos ao meio do povo. Eu sorria, igual um idiota, para tentar relaxar. Pode parecer estranho, afinal tínhamos anos de amizade, mas eu ainda ficava meio sem jeito perto dela. Não sabia exatamente o que estava pensando, mesmo sempre me dizendo que eu a entendia como ninguém.

“Ah, vai
Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar”

A música era a melhor possível! Algo que estava em nós dois. Que nos fazia viajar longe. Que nos separava do resto do mundo.

Não me lembro bem se foi eu quem a puxou ou se foi ela que me enlaçou.

“Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê, deve não ser
Você me falou pr’eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor”

Mas sei que estávamos bem juntinhos. Olhares fixos e sorrisos largos. Sentindo nossa respiração. E, sem ter como explicar, o lugar pareceu tão vazio. Só havia a musica. Cantávamos em nossas bocas. Aquela musica…

“Ah, vai
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona
Pra te acompanhar”

É… Já se faz tantos anos. E no fim… acho que perdi a hora afinal.

Sobre minha Cidade

xaxaxaxaxa

Por: Mauricio Lahan Jr

Ahh São Paulo!

Por que correr tanto? O que acontece com você? Sempre preocupada com o seu trabalho, querendo mais e mais ganhar promoções! E suas crianças? Todas aquelas que estão sobre seus cuidados. Por qual motivo você se esqueceu delas?

Minha querida, pare de olhar tanto para fora! Veja como é lindo tudo aquilo que foi construído aqui, dentro de você. Feito com muito esforço por nós. Foram tantos que vieram de muito longe ver todas as coisas boas que ouviram sobre você, e quando aqui chegam são expulsos, explorados e mal tratados.

Ahh São Paulo!

Não faz assim com seus filhos. Cuide bem da saúde deles. Preste atenção em seus estudos. E por favor, pare de ficar escolhendo qual é o seu preferido. Não é justo mimar aquele que puxa seu saco e que você acha mais bonitinho só por que ele teve “Sucesso” na vida e se tornou um grande empresário.

Tente ser mais Humana e menos Exata! As vezes quando a gente grita, quebra e faz bagunça é por que precisamos de atenção. Precisamos de cuidados que só você pode nos dar. Não precisa chamar aquela Babá. Ela bate em nós! Você não acredita, acha que é frescura e pirraça nossa. Mas é verdade! Ela nos bate com cassetetes, gás e bala de borracha. Isso magoa e nos machuca. Faz a gente ter vontade de fugir de casa.

Ahh São Paulo!

Eu sonho em um dia fazer perceber que o seu corpo não é feito de grandes construções, arranha-céus e obras. Nem mesmo seus bancos ou industrias são tuas riquezas. Você é feita e construída pelo seu povo e sua riqueza está na vasta cultura de misturas que temos aqui.

Espero, de verdade, que um dia a gente possa crescer. E neste dia não vamos aceitar mais a cinta na sua mão, pois vamos desejar construir nosso próprio futuro e fazer de você uma cidade com a nossa cara.

Se é para ter Amor que seja menos I Love  e mais Eu Amo São Paulo!

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asasasasa