Carta à Soledade

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Por Anderson Estevan

 

Soberana, latitude, Soledade, solítude

Tu és bruxa, cigana, safada, profana

 

Solidão, Salazar, onde isso vai parar?

Doente, ausente, descrente, urgente

 

Tanta mulher errada para se entregar

Rodar, deitar, cruzar, suar

 

Mas escolhestes justo a tal Soledade

Com maldade, idade, saudade, vontade

 

Sofre de uma vez então pobre Salazar

Por respirar, escutar, chorar, olhar

 

Ver tal amada se insinuando o dia inteiro

Para o leiteiro, o padeiro, o cozinheiro e o banqueiro

 

E não para o sofrido Salazar

Que envia esta carta com pesar:

…Sangra-me os olhos, cigana e não me deixa ver tal atrocidade.

Decepa-me com a guilhotina da paixão ou despeja sobre os meus lábios a cicuta dos loucos. Ò Soledade, bruxa enrustida, escrava da paixão e ceifadora de sentimento. Mata-me por traição.  

As cores tornaram-se opacas sem a tua sacra presença. Os dias já não têm a mesma alegria, como em um passado distante. Dedico a ti, ó profana Soledade

este gole de veneno que me arranca a existência…

Do seu Salazar

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2 responses to “Carta à Soledade

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