Professores e Bolsonaro

Já faz algum bom tempo que um vídeo, mostrando um professor ameaçando tirar 2 pontos da nota de alunos que falassem sobre Bolsonaro, viralizou na internet.

Por incrível que pareça eu só o vi a alguns dias. Pensei sobre o assunto e visualizei a gravação várias vezes, decidindo assim que seria importante escrever, sobre, aqui no blog.

Não vou entrar no mérito de falar em relação a atitude do professor. O mundo não é um binarismo de certo ou errado, onde existe uma cartilha sobre como viver a vida. Aquele foi um momento no qual, emocionalmente fragilizado, o senhor professor perdeu completamente o controle da situação e precisou se expressar da forma que conseguiu. A questão aqui é refletir sobre como seria estar na pele daquele homem.

Para um educador chegar ao nível de estresse, demostrando no vídeo, é por ter muito a dizer e sentir. E me deixa triste a forma na qual como isso é ironizado.

As questões políticas por muitos são irrelevantes e por outros tantos o que importa é apenas sua própria opinião. Isso é raso. Opinião não se constrói a partir de “achismos“. É preciso ter base e argumentação, não apenas convicção e fé.

O pior é o julgamento online que colocou o professor como petista comunista e afim apenas para desqualifica-lo, como se fosse preciso ser militante de esquerda para ser contra um boçal como o “Mito”.

Vou deixar o link do vídeo aqui para cada um poder refletir sobre o caso e depois vou escrever sobre essa monstruosidade que se chama “Respeitar minha opinião” que está servindo de muleta para justificar alienação com Democracia.

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Salve as Almas!

Numa noite de Sexta, a muitos anos atrás, me aconteceu um episódio muito interessante.
O terreiro, como sempre, estava com aquele calor e aroma aconchegante advindo da defumação, os médiuns trabalhavam incorporados quase em silêncio. Era noite de preto(a) velho(a). Noite de calmaria. De olhos tranquilos que levam o peso da historia.
De olhos severos que direcionam as almas.
A “Vozinha”, que estava a minha frente, sempre mantinha um sorriso singelo no rosto. Por todas as vezes que me sentei para uma consulta trazia comigo uma coleção de erros e arrependimentos e ela, com todo o carinho do abraço, sempre me ensinou a levantar a cabeça e olhar para frente, a me focar em ser melhor e aprender com o erros.
Mas não me vem em mente o assunto que tratava na noite em questão e o que de mais incrível aconteceu de forma inesperada.
Ela com toda gentileza e com as mãos pouco trêmulas me ofereceu o café que estava em sua pequena xícara. Aceitei de bom grado e bebi. Logo o gosto amargo e forte tomou conta de toda a minha boca. Naturalmente meu rosto se retorceu por inteiro. Era simplesmente HORRIVEL kkkkk.
Qnd terminei fiquei em silêncio em respeito a entidade que estava em minha frente. Ela sorriu e perguntou: Está amargo ZinFio?
Acenei em sinal de positivo com a cabeça.
Ela então fez do seu semblante um rosto sério e respondeu: pois a tanta coisa amarga nesse mundo, que fazem esse café parecer doce como mel.
Por um instante eu refleti. Logo levei a xícara novamente a boca. Dessa vez não houve careta nenhuma.

Muitas vezes criamos grandes monstros e demônios que nos auto sabotam. E muitas vezes isso acontece por falta de consciência ou compreensão do que está em nossa volta, do que está dentro de nós. Às vezes falta paciência… Reflexão.
Hj todas as manhãs eu me sirvo de café amargo para nunca esquecer da lição aprendida naquela noite de sexta. E por incrível que pareça eu aprendi a encontrar o sabor até mesmo no amargo da bebida.

#SalveAsAlmas #Atôtô

Maturidade

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Maturidade tem haver com o poder de enxergar a realidade e deixar de lado a fantasia.

É triste enxergar mais os tons de cinza ao invés de poder brincar entre as cores, não exatamente o preto no branco isso seria depressão. Mas assim como chocolate meio amargo é possível apreciar aquilo que não é doce.

Ser Maduro é ter passado, como nas frutas, pelo seu desenvolvimento para logo começar sua putrefação. É já ter caído da arvore e carregar consigo as marcas da queda. Não ter mais a sombra e a proteção das folhas, a segurança dos galhos e a alimentação vinda da Mãe arvore. Ser obrigado a arrancar suas sementes de dentro e faze-las cavar raízes profundas.

Quando deixamos de nos importar com palácios e os mais belos e grandiosos cenários iluminados, cheios de ouro e preços, podemos aprender a apreciar o quanto é bonito o canto de um único pássaro e o quanto este canto vale mais a pena do que qualquer arranha-céu erguido. Aprendemos que o prazer da brisa numa manhã de sol é mais agradável do que qualquer toxina intravenosa que seu dinheiro pode pagar.

Maturidade é quando percebemos que o riso dado com alguém é muito mais gostoso do que quando rimos de alguém. Deixar de lado mesquinharias, sabendo se colocar no lugar do outro é nobreza. Preferir aprender com alguém ao invés de querer se impor a ela é sabedoria.

Eu ainda tenho muito a amadurecer e não posso me esquecer.

A dificuldade de escrever um Conto.

Aaaaaarrrrrgghh!!

Como escrever um conto é difícil! Você passa horas na frente do teclado e nada sai. Você escreve e escreve e tudo parece um lixo. Tem preguiça de ler o que escreveu e suas melhores ideias surgem quando se está amassado no metrô indo pro trabalho.

Parafraseando Haruki Murakami, digo que existe um certo limite para que se pode escrever para alguém como eu que está mais vendido a um escritório do que disponível para aquilo que gosto.

Mas nada disso em si serve de desculpas. A melhor forma de se escrever um conto é justamente escrevendo. Mesmo que seja uma frase por dia. Escreva, escreva e escreva mais e mais. Se ficar um lixo escreva de novo. Faça 100 contos horríveis se for preciso para que 1 deles saia bom.

Essa é a ideia! O trabalho duro pode superar até mesmo uma mente genial. E esse vai ser meu mantra. Eu revivi o Crime Sem Castigo para justamente escrever, seja para o que for e pelo que for. Não tenho nenhum tema central mas espaço vai servir para que eu possa todo dia trabalhar com as palavras.

Espero que gostem dos meus conteúdos e que concordem comigo sobre o essencial para se produzir um conto. Vou continuar escrevendo todos os dias e espero que um dos melhores dias ainda chegue até mim.

Creep

creep

Eu recostei a cabeça em seu colo, enquanto me esticava no sofá da sala. A televisão, centrada na parede, tocava diversas musicas, uma playlist em shuffle mas seguindo uma certa linha de ritmos na qual eu não faço a minima ideia de como é pré definida.

“When you were here before
Couldn’t look you in the eyes
You’re just like an angel
Your skin makes me cry”

Sentia seus dedos passando delicadamente pelos fios da minha barba, o seu olhar fixo nos meus olhos, de cima para baixo. Um rosto sereno e pouco expressivo, me deixava apreensivo por não saber o que se passava em sua cabeça.

“You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You’re so fucking special”

Eu te devolvi o carinho, com caricias em seu rosto, te olhando de baixo pra cima, deixando que meus dedos desenhassem as bordas da sua orelha. Com uma voz tímida comecei a cantar Creep do Radiohead – era o que passava na TV – fazendo daquele momento o meu desabafo.

“But I’m a creep
I’m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don’t belong here”

Ela não entendia muito de inglês e por isso não soube do que a musica se tratava. Eu disse todas as palavras que precisava sem, ao mesmo tempo, dizer nada.

No fim da noite, na cama e com todas as letras, disse-me: Eu já pensei em desistir tantas vezes.

Talvez ela saiba desabafar melhor do que eu.

 

Sobre Ser Vegetariano

vaquinha-feliz-leite

A uns 7 anos eu parei de me alimentar com Carne. Seja qual for. Ainda me alimento de outros derivados como Leite, Mel e Ovos.

Não vou tratar aqui sobre motivos pelos quais deixei de parar de comer Carne e nem mesmo debater se vale a pena ou não.

Quero falar sobre como é ser uma pessoa que não come Carne. Olha só, é muito bom! A Parte que tem haver com você simplesmente deixar de comer algo e ser feliz por isso. O que fode a vida é o resto do mundo que tem por algum santo motivo o imenso desejo de te fazer se sentir mal por isso.

Cara, um vegetariano não sente falta de churrasco, não precisa perguntar milhões de vezes. Um vegetariano não quer saber da sua indignação e nem mesmo que você o admira mas que não consegue ser igual. Serio a gente se sente muito mal quando chega em um lugar e alguém diz “Quer que eu frite um Ovo?”. Sabemos que é por boa intenção, mas se a gente recusa então não precisa ficar marretando, sabemos que 99% do mundo se alimenta de carne e não vamos sair de casa sem comer algo para se arriscar em passar fome na rua.

Aquelas piadas também não tem graça nenhuma. A gente se sente mal quando vocês dizem “A gente poderia comer um Hambúrguer mas fulano não come carne e ferra nossa vida! Volta a comer carne meo“. Ninguém gosta de ser o Peso do Rolê.

Resumindo. Eu sei que é chato pra caralho aqueles militantes que querem te forçar a parar de comer carne e ficar postando e mostrando videos de animais sendo abatidos. Mas velho, pra cada 1 vegetariano chato existem centenas de milhares de carnívoros inconvenientes. Então por favor, não seja igual a essas pessoas.

#PAS

Sobre mitos e lendas

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O Rei era grandioso!

Amado e adorado por seu povo e por todos aqueles que estavam sob seu comando. Seu nome era sinônimo de coragem e lealdade. Não havia uma batalha, em nenhuma guerra se quer, que não estivesse junto a seus soldados. Se arriscando aos mesmos perigos!

Todos os guerreiros do reino teriam coragem e orgulho de morrer por seu soberano. Diziam “Minha vida pertence a meu Rei, meu Senhor!” e assim o seguiam com carinho e dedicação, fazendo o que fosse preciso pela glória de seu reino.

Porém, havia um povoado que não concordava com aquele estado de ordem na qual a Coroa os submetia. Essas pessoas estavam furiosas! Não aceitavam plantar  e doar mais da metade do que produziam a Corte. Diziam que as palavras do Rei não faziam sentido a sua realidade. Que sua força de expansão imperial em nada melhorava a vida e o dia a dia sofrido de quem trabalhava nos grandes campos.

Em um sinal de força e Ordem o rei determinou uma pequena comitiva até aquele povoado. 150 Cavalos com armaduras, lanceiros grandiosos e experientes de guerra,  organizavam uma campanha exuberante. No meio daquela armada o rei estava sob uma carruagem onde seu assento fora colocado no topo do carro. Assim ele olhava o caminho do alto, sua visão poderia alcançar muito adiante e ao mesmo tempo muitos poderiam avista-lo.

Sua armadura reluzia em ouro. E refletia a luz do sol como se fizesse a si um espelho a grande estrela de fogo. Os detalhes desenhados cuidadosamente no metal marcavam cenas de batalhas que estavam escritas em sua história de 20 anos como comandante. Essa era a imagem divina daquele que nomeava a si mesmo como o Salvador, o homem que iria eliminar todo o mal presente nos infelizes atrevidos o suficiente para contrariar a vontade de Deus.

Mas, foi quando cruzaram um pequeno vale, pelo qual um fino caminho de água escorria entre duas margens forradas de arvores aos pés de alguns morros, que o impensável aconteceu.

Quando seu rosto bateu contra o chão macio e molhado daquele caminho e sua boca encheu-se de lama a unica coisa que passou pela cabeça do Rei era “A terra não é tão nojenta quanto parece”. O que se passou depois disso foi apenas tragédia e dor. Havia quebrado um tanto de costelas e a bacia enquanto os ossos de um ombro e de um cotovelo rasgavam sua pele, rachados com o peso de seu corpo. O Sangue se acumulava na garganta e afogava seus pulmões. A lança que perfurava abaixo de suas axilas, havia rachado após a queda e, por isso, sentia fiapos e pontas de madeira esfregando sua carne. O desespero de seus cavaleiros foi generalizado. E tão cedo quanto tinha sido a queda de seu rei fora o tempo para capturar o jovem que estava a espreita entre as arvores. O Assassino com toda certeza seria levado a tortura e execução em praça publica, mas isso já não fazia diferença. O rei estava Morto.

Seu corpo não era sagrado, havia sangue, carne e osso, não luz e ouro como muitos acreditavam. Sua agonia e dor, o medo em seus olhos cheios de lagrimas, eram iguais a de todos os homens que enfrentavam a morte prematura. Seus vinte anos de história foram deixados de lado enquanto os membros de sua família disputavam a divisão de poder e terras.

Com o passar de alguns anos seu reino se adaptou aos novos dias, a novos governantes e a tantos outros Deuses Homens. Talvez fosse comum, que de tempos em tempos as pessoas procurem um santo entre si. Alguém que possa de forma simples resolver todos os seus problemas. Que tenha palavras firmes e assim te faça acreditar que o mundo é mais simples do que parece ser. É bem capaz que todos nós estejamos procurando alguém que assuma a responsabilidade por nossas vidas. Mas não podemos esquecer que todos nascemos como homens e morremos como homens, pois Deuses, Mitos e Lendas não caminham entre nós.