A solução para o Estado é o fim do Mesmo?

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Galera! Antes do post, queria avisar que agora temos um Insta!
Eu sei, doideira neah? Mas me falaram que InstaGram é uma coisa famosa que um monte de gente usa. Então acessa e segue a gente lá per favore
@CrimeSemCastigo

Bjs ~~


Em “O Estado e a Revolução” de Vladimir Ilitch Lênin temos uma obra inteira voltada a discutir formas e meios de como a classe trabalhadora deveria romper e quebrar o Estado chamado Burguês, ao mesmo tempo em que o autor debate o que ele considera como deformidades das ideias e teorias de Karl Marx.

O livro é repleto de explicações e esclarecimentos segundo a visão de Lênin sobre o ideal de comunismo e o fim de meios de organização social como o Parlamentarismo, Republica ou qualquer outro meio que não seja uma divisão ampla da sociedade em Comunas.

Mas até ai vamos ignorar o final e pensar um pouco sobre o Meio. Toda a base da leitura é baseada que só seria possível chegar aonde Lênin, ou melhor Marx, teorizou se acaso houvesse uma quebra do modelo de Estado no qual vivemos. Será que a solução do Estado é justamente a quebra do mesmo?

Para que serve o Estado? Devemos partir da ideia de que o Estado existe para organizar a sociedade em sob um conjunto de Leis que possam delimitar os “direitos e deveres” de cada cidadão além disto determinar como vamos eleger lideranças que tem como dever a manutenção dessa organização de uma forma sadia para aquela cultura ou civilização.

Obviamente a concepção de “Estado” não tem uma ideia primordial. A organização social foi criada de forma natural e não idealizada, desenvolvida a partir de necessidades primordiais para a sobrevivência da espécie. O que futuramente podemos considerar que foram idealizadas seria as formas do Estado. Isso sim é especificamente diferenciado de sociedade para sociedade e de tempos para tempos.

Ninguém pode dizer o que será mais viável ou terá maior chances de “Sucesso” mas a questão em sí é que a própria história nos prova que o modelo de estado não é certo e nem eterno. Ele pode e deve ser quebrado diversas vezes para se construir novas tentativas de avanço do que poderíamos considerar desenvolvimento Humano.

Muito provavelmente a Obra de Lênin pode vir a estar um tanto ultrapassada, há muitas ideias dentro do livro que muito provavelmente já foram superadas, porém devemos não enxergar um manual cego do que obrigatoriamente devemos fazer, mas sim uma sugestão para uma nova ideia de Estado. E que isso nos inspire a pensar que o Estado pode e deve ser dissolvido de tempos em tempos em nosso processo Histórico. Não podemos simplesmente aceitar as coisas como são e duvidar de que mudanças grandes possam acontecer.

Precisamos estar de mente aberta a entender que o tempo histórico cria mudanças radicais na sociedade humana e que isso é natural.

Talvez todas essas tentativas ideológicas do que se classifica como esquerda, comunismo ou socialismo podem mesmo findar ao erro. Mas não muda o fato que vivemos numa sociedade completa de inversões de valores e cheias de injustiças, onde a maioria da população global vive em miséria.

Um estudioso do desenvolvimento infantil chamado Lev Vygotsky refletiu sobre a seguinte questão: Se uma pessoa na idade média morre por uma doença que não tem cura, então sua morte foi natural. Se uma pessoa morre pela mesma doença após a humanidade criar uma vacina então sua morte foi uma escolha social.

Podemos muito bem ampliar esse pensamento a outros campos como a fome por exemplo. E devemos refletir profundamente se vamos escolher ser omissos e permitir que as contradições do sistema continuem existindo e gerando diversas crises, ou se vamos ter coragem de produzir e debater novas ideias, para uma nova concepção de ordem Social.

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Memória

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“se as nossas lembranças voltarem e, entre elas,
a de momentos em que te desapontei, ou de atos
condenáveis que eu um dia possa ter cometido
e que a façam olhar para mim e não enxergar
mais o homem que você está vendo agora,
me prometa uma coisa pelo menos:
prometa, princesa, que não vai esquecer
o que sente por mim no fundo do seu coração
neste momento”

A algum tempo vem surgindo no meu universo pessoal muitos símbolos envolvendo um tema extremamente complexo e completo: Memória.

Recentemente, duas grandes obras colocaram esse tema em foco na minha vida e de forma muito clara. A primeira foi “Vingadores: Ultimato”. Numa forma alucinante, este foi o evento que mais aguardava com ansiedade deste o ano passado. Já a Segunda obra foi o contato com o Livro “O Gigante Enterrado”, uma leitura obrigatória para todo bom amante de literatura, um texto leve e fluido extremamente cativante, delicioso de se ler.

Vingadores foi, disputando ali o lugar com a ultima temporada de “G.O.T.“, provavelmente o maior acontecimento da cultura pop/geek/nerd que 2019 poderia produzir. E basicamente a trama inteira do filme é baseada numa busca em revisitar toda a trajetória dos 10 últimos anos de filmes da Marvel no cinema. Não somente relembrando momentos mas fazendo com que seus personagens pudessem olhar para trás e se questionarem, preencher lacunas de suas histórias e acertar pontos que muitas vezes ficaram inacabados. Esse filme me acertou em cheio! Mesmo prestando muita atenção na gigantesca tela “Imax”, não pude evitar me perder em momentos de devaneios imaginando estar no lugar daqueles personagens. Não vivendo suas histórias e aventuras, mas tentando trazer a mente como seria poder voltar no tempo, buscando memórias que estavam deixadas ali em algum canto na minha mente, algumas em lugares mais protegidos e bem cuidados e outras em locais um pouco abandonados do meu cérebro.

Eu vi momentos da minha vida em aquelas poucas horas de filme que me fizeram refletir bem a fundo e brincar com a ideia de que se eu pudesse mudar algo, será que o faria? Naquele momento sim. Todas elas. Acredito que a emoção do filme te faz pensar muito em memórias na qual você deseja revisitar e alterar, em oportunidades que você considera como perdidas. Mas ai, veio a segunda parte.

O Livro vencedor do Nobel de literatura em 2017, O Gigante Enterrado de Kazuo Ishiguro, ampliou todo aquele sentimento que eu vinha nutrindo, após assistir o filme dos heróis mais poderosos da Terra, ao longo de semanas. A Obra literária, mais profunda, mais densa, que não poderia ser digerida em apenas três horas de cinema, trabalhou uma ideia mais imersiva sobre as lembranças guardadas em minha mente.

O livro não apenas fala sobre memória, mas nos leva a pensar sobre a importância de termos ou não especificas lembranças e o que em sí tais memórias podem influenciar ou não o que somos hoje. Ishiguro me fez pensar que talvez fosse muito importante guardar memórias que possuo ao invés de desejar muda-las. Me fez refletir que hoje sou o que sou por tudo que passei e que não faria diferente no passado, afinal se eu souber o que acontece antes de acontecer e basear minhas escolhas já conhecendo o resultado logo, se  volto ao meu passado ele se torna meu presente, assim como o Hulk explica no filme. Eu percebi que só posso brincar de imaginar escolhendo caminhos de um passado alternativo na minha vida se antes tenha já vivido e aprendido com eles. E foi aprofundando esse pensamento que percebi, ao fim, o valor e a importância de cada lembrança que constrói, ao longo dos anos, pedaço por pedaço da pessoa que sou.

Muitos de nós passamos eternos dias e meses parados no tempo, refletindo “Como a vida poderia ser diferente”. É uma reflexão válida. Porém não podemos desvalorizar todas as provações, problemas, dificuldades e alegrias pelas quais vivemos cada dia, cada hora e cada instante. Nossas memórias estão ali, guardadas por um bom motivo. Não para termos uma bolsa de arrependimentos nas costas sobre tudo aquilo que foi e deixamos ir, mas sim para podermos revisitar a nós mesmos e entendermos como foi feita a construção do ser humano que somos além disto servirá para entender como tal formação criou os laços que temos com as pessoas em nossa volta.

A memória assim como o tempo deve ser colocada como um dos bens mais importantes do ser humano e devemos valorizar cada instante de história que pudermos lembrar sobre nós mesmos. Manter lembranças vivas dentro de nós é a melhor forma de aprender ou ensinar sobre o homem ou mulher que nos tornamos.

Tesão pelo Ed. Poe

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OOOOIIII!!

Ela sempre de braços abertos e sorriso espalhado na boca. Dentes brancos brilhando ao me ver. E ai jow, era 80% das vezes a minha resposta. 20% eu reservava para um Oi Mih. Mas sempre, sem falta, havia um abraço. Na maioria das vezes ela estava com os ombros desnudos e eu aproveitava para sentir sua pele macia no meu rosto. O cheiro perfumado e natural que exalava era tanto agradável quanto natural.

Meo, você precisa ler Edgar Allan Poe! Tem uma história que… Cerca de 5 a 8 vezes por Mês me comentava sobre alguma literatura do Edgar Allan Poe. Ela ama essa porra de escritor. Nossa sério? Que foda. Assim que der eu vou comprar um livro dele. Invariavelmente, por volta de 90% das vezes, eu respondia dessa forma, logicamente de varias formas genéricas. Os outros 10% eu apenas acenava com a cabeça ou fazia/demonstrava alguma expressão, tal como levantar as sobrancelhas ou apenas sorrir feito idiota. A questão é que eu não me importava, tanto que não me lembro de nada sobre nada do que ela já há de ter me contato do autor e sua obra.

No fim sentia-se satisfeita. Não pelas respostas, essas a deixavam sem graça e desconcertada, sem entender como o meu interesse parecia desaparecer num instante. Então por qual motivo afirmo sua satisfação? Está nos olhos. Todas as vezes que falava sobre Edgar Allan Poe dava para perceber o quanto meus olhos e meu foco estavam voltados 100% para ela. O problema é que a menina acreditava que me importava com o que dizia quando na verdade minha mente estava bem distante.Vendo aqueles lábios delicados se mexendo, imaginando aqueles cabelos longos e lisos, que passavam da altura dos ombros, enrolados na minha mão enquanto eu a puxava. Seu corpo moreno e nu sob o colchão da cama de qualquer Motel barato que encontrássemos, enquanto fugíamos da aula de sociologia.

O tesão que ela enxergava ao ver meus olhos, vidrados durante sua fala, não era por causa do Ed. Poe. Tudo isso começou por causa da Rosa e seus vestidos curtos. Um botão aberto e vermelho tatuado no lado da coxa com seus gravetos subindo por sua perna e entrando em seus vestidinhos coloridos que sempre estavam a cima do joelho e cortando a Flor ao meio. A Curiosidade é a verdadeira razão do Tesão. Não é saber ou ver aquilo que está por baixo de todas as roupas vestidas em pessoas nas ruas e sim imaginar, se perguntar e tentar adivinhar o que está por baixo. Esse período de desejar saber é o segredo do Tesão.

Eu não tinha tesão pela obra do Poe, pior ainda é que me apaixonei. No fim acredito que ela percebeu minha falta de interesse em quase tudo que me dizia. E isso é por causa do Ed. Se fosse Shakespeare, Bukowski ou Kafka, com toda certeza eu teria conseguido algo com a garota. Eu juro que nunca vou ler um livro se quer desse puto.

 

 

Contos – Rubem Fonseca

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Poha.

Recentemente tive contato com os contos de Rubem Fonseca e digo: Poha!

Que forma de escrever maravilhosa. É seco, violento, realista e palpável. Ele escreve algo totalmente concreto na qual você consegue sentir fisicamente a história. E por sentir fisicamente deve-se entender socos na cara que recebemos a cada paragrafo.

Um amigo definiu Rubem como um escritor que faz uma casa crua sem nenhum tipo de reboco ou enfeite. Ela é pura, cimento sobre tijolo. É apenas essência e estrutura.

Eu vi a busca por uma realidade tao bruta como a de Bukowski, porém sendo este um autor que utiliza muitos atos fantásticos nas suas histórias enquanto Fonseca chega a beirar o absurdo do limite humano.

É provável que ao ler você se sinta assistindo aqueles telejornais que a cada dia contam uma história mais e mais mirabolante mas que não são fantasia. Aquilo que as pessoas fazem quando ninguém esta vendo. Tirar a mascara e a roupa do convívio social para buscar episódios do interior humano, como se você fosse uma câmera de vídeo filmando os momentos mais íntimos e isolados das pessoas, aquilo que não é aceito socialmente.

Rubem Fonseca é a verdade que ninguém quer acreditar que exista. O desejo reprimido de se identificar com algo socialmente não permitido. Chega ao animalesco.

Enfim, acredito que o autor traduza bem o titulo do Blog e não é a primeira vez que escrevemos sobre ele (clique aqui para ver o ultimo post sobre o autor), mas acredito que o mesmo merece em muito ser lembrado e re-lembrado, lido e re-lido. Mas esteja pronto para aceitar que a parte mais sedenta por sangue dentro de você vai adorar as obras do autor.

A dificuldade de escrever um Conto.

Aaaaaarrrrrgghh!!

Como escrever um conto é difícil! Você passa horas na frente do teclado e nada sai. Você escreve e escreve e tudo parece um lixo. Tem preguiça de ler o que escreveu e suas melhores ideias surgem quando se está amassado no metrô indo pro trabalho.

Parafraseando Haruki Murakami, digo que existe um certo limite para que se pode escrever para alguém como eu que está mais vendido a um escritório do que disponível para aquilo que gosto.

Mas nada disso em si serve de desculpas. A melhor forma de se escrever um conto é justamente escrevendo. Mesmo que seja uma frase por dia. Escreva, escreva e escreva mais e mais. Se ficar um lixo escreva de novo. Faça 100 contos horríveis se for preciso para que 1 deles saia bom.

Essa é a ideia! O trabalho duro pode superar até mesmo uma mente genial. E esse vai ser meu mantra. Eu revivi o Crime Sem Castigo para justamente escrever, seja para o que for e pelo que for. Não tenho nenhum tema central mas espaço vai servir para que eu possa todo dia trabalhar com as palavras.

Espero que gostem dos meus conteúdos e que concordem comigo sobre o essencial para se produzir um conto. Vou continuar escrevendo todos os dias e espero que um dos melhores dias ainda chegue até mim.

Krishna

Krishna

– Neste momento decisivo, ó Arjuna, por que te entregas a semelhante desânimo, indigno de um Ariano, e que te fecha os céus?
[…] Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos.
[…] Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento – essas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência!
Mas quem permanece sereno e impertubável no meio de prazer e sofrimento, somente este é que atinge imortalidade.
[…] Perecíveis são os corpos, esses templos do espírito – eterna, indestrutível, infinita é a alma que neles habita. Por isso, ó Arjuna, luta!

-Krishna; Bhagavad Gita –