TAG: Senhora! Senhora!

senhora

Ok! É a minha primeira vez com TAGs então.. Espero que gostem haha

Fui convidado pelo amigo Alex André do Blog Lendo Muito!!! para responder algumas perguntas sobre livros 🙂
Parece que a criadora da TAG é a Carolina do Blog A Colecionadora de Histórias.

Gostaria de agradecer ao Alex por lembrar do mim e do meu blog! É significativo para mim ~~

As regras da TAG são:

  • Responda todas as perguntas;
  • Marque seus blogs amigos;
  • Dê os créditos de criação da tag.

 

1.Desafio! Encontre um livro com uma jornalista na história e deixe a sinopse.

Eu não sei se faz diferença de uma jornalista ou um jornalista. De qualquer forma eu escolho “Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silencio” de P.J. Pereira! É uma trilogia bem bacana ~~

Sinopse: O segredo da história é entrelaçar dois mundos – São Paulo, onde vive um jornalista audacioso, doido para ascender nas redações e conquistar uma posição de destaque, investigando um grande escândalo empresarial e se envolvendo com colegas e chefes; e Orum, onde vivem os orixás, o mundo da rica mitologia africana, onde Orunmilá, o maior advinho de todos tem os seus poderes silenciados e tenta entender como recuperar sua capacidade de antever o futuro. Numa jornada que aos poucos vai revelando como é possível que os dois mundos tão distantes no tempo e no espaço se comuniquem, o leitor vai descobrindo os sentimentos mais fortes capazes de guiar pessoas e deuses. Irá Orunmilá com a ajuda de Exu, Ogum, Oxóssi, Oxum reencontrar seus poderes? Irá Newton Fernandes compreender a origem das estranhas coisas que passaram a lhe acontecer?

2.Sorria, você está sendo filmado! O livro que você está lendo no momento.

Hoje estou lendo (e há muito tempo) “O Golpe e a Ditadura Militar – 40 Anos Depois ( 1964 – 2004 )” do Daniel Araão Reis, Marcelo Ridenti e Rodrigo Patto Motta. É a obra que serve de fundo para a produção do meu TCC. Faz tempo que não só leio mas estudo o livro, e acho que o titulo já esclarece o tema haha.

3.Utilidade pública! Uma trilogia/série/saga que deveria ser de conhecimento geral.

Com toda a certeza “As Cronicas de Gelo e Fogo” (A Song of Ice and Fire) de George R. R. Martin. Essa saga é perfeita! Não somente pela história mas pela qualidade das personagens e a técnica de escrita de Martin onde cada capitulo representa um ponto de vista de uma personagem especifica.

4.Ritual sagrado! Cite um livro que você releu, e por quê.

Acredito que nunca re-li um livro por completo. Mas se há algum livro que sempre recorro as vezes esse seria “Tao Te Ching” de Lao Tsé. É o livro base da filosofia Taoista e sempre me faz voltar ao meu eixo quando as coisas estão meio perturbadas haha.

5.Batendo o ponto!Um livro que você leu por obrigação, ou somente porquê “estava na moda”.

Nunca li um livro por obrigação. Até mesmo para estudos eu dou um jeito de enrolar e acabo não lendo e me viro de alguma forma kkkkk

6.Enrolando no bosque!Um livro que você demorou muito para terminar.

São tantos. “Fausto” de Goethe (ainda não terminei), “A Ideologia Alemã” de Karl Marx (Eu realmente preciso terminar) e “Barba Ensopada de Sangue” do Daniel Galera (em alguns momentos apaixonante em outros um tédio descritivo). Os três são livros perfeitos e nota 10! Mas por alguns motivos acabei não terminando de ler. Mas eu crio coragem um dia 😉

7.Pega na mentira!Cite um personagem “cara de pau”.

Iago é um personagem de “Otelo – O Mouro de Veneza” de Shakespeare. Esse é o personagem mais mentiroso e filho da puta de qualquer história. É graças a ele que toda a desgraça do livro acontece.

8.Cite um autor não tão conhecido que deveria ser homenageado.

Ahh.. Não tenho nenhum autor desconhecido que mereça ser “homenageado”. Mas sei la. As pessoas não leem muito Fiódor Dostoievski ou Franz Kafka. Ok.. Para a história da literatura mundial os dois estão no topo! Mas só conheço uma pessoa que os leu.

9.Profissão leitor!Um livro que você abandonou ou que te decepcionou totalmente.

Ahh.. “O Simbolo Perdido” de Dan Brown. O livro não me decepcionou, pelo contrário eu gostei bastante. Ainda mais por que fala justamente da Maçonaria. Porém, por algum motivo, eu não li o último capitulo. Isso mesmo eu não descobri qual é o Fucking Simbolo Perdido ¬¬’

10.Redundância.Um livro que você considera “mais do mesmo”.

Acredito que “Tambores de Angola” do Robson Pinheiro. Não sendo preconceituoso, mas é um espírita falando de Umbanda e… Sei la… É meio mais ou menos tentando puxar para um lado mais “Magico da coisa”.

11.Ninguém pode saber!Um livro da estante que você esconderia de tão precioso!

Meu cérebro deu quase tela azul aqui pra decidir então vou falar todos que considero INDISCUTIVELMENTE preciosos.

  • Clube da Luta – Chuck Palahniuk
  • Crime e Castigo – Fiódor Dostoievski
  • O Processo – Franz Kafka
  • Pulp – Charles Bukowski
  • As Cronicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin
  • Tao Te Ching – Lao Tsé
  • E todos de Shakespeare que tenho
  • E todos do Mario Quintana que tenho

Não consigo escolher entre estes, sim são muitos e eu estou quebrando as regras… Me julgue!

12.Eu nunca fiz isso!Um livro que você tem vergonha de ter lido.

Nunca li um livro que teria vergonha de dizer ~~

13.Cooorree!Um livro/autor que você não leria de jeito nenhum.

Olavo de Carvalho 😀

14.Atrás dela!Cite uma personagem determinada.

Daenerys Targaryen – Nascida na Tormenta, A Não-queimada, Mãe de Dragões, Mysha, A Rainha de Prata, Rainha dos Ândalos dos Rhoinares e dos Primeiros Homens, Senhora dos Sete Reinos, Khaleesi do Mar de Grama, Quebradora de Correntes, Rainha de Meereen e Princesa de Pedra do Dragão. Esses são todos os títulos que ela conquistou, da pra ter uma noção da determinação dela neah? Personagem das Cronicas de Gelo e Fogo ~~

15.Um autor que você perseguiria até não aguentar mais!(ou seja, leria até a lista de compras).

Kafka, Shakespeare e Dostoievski ~~

Bom.. Devo escolher agora alguns Blogs para indicar a TAG ~~

André do Blog Acasos

A Divertida Raqs do Blog Desfocada de Contexto

O José Augusto do Blog Projeto Existir

O Horacio do Blog Antonais do Silencio

E o Rodrigo Rezende do Blog Cachorros Fumantes 

Então é isso gente 🙂
Gostaria de fazer uma lista com uns 50 blogs para indicar, mas no momento são estes haha

Vejo vocês em uma nova vida ~~

 

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Pedaço de um Conto

 

 

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Post meio grande.. É uma parte de um conto que estou escrevendo. Não é o começo e nem o fim, então talvez fique meio sem sentido algumas partes. Mas estou sem inspiração para criar algo novo entãaaaooo decidi dividir um pouquinho daquilo que já estava preparando. Tenham paciência.. Leiam tudo por gentileza e me digam suas opiniões sobre ~~

“- Que nova ordem é essa?
– É que nós, por assim dizer, estamos mortos, Excelência.”

Bobók, Fiódor Dostoiévski

*Ploc, Ploc, Ploc*

Esse é o barulho que seu salto faz enquanto caminha. Um passo de cada vez, firme e confiante. Sua postura é elegante, seu terninho é justo. Cabelos curtos, muito bem arrumados, lisos e presos. Seus óculos estão um pouco caídos em seu nariz, desta forma ela sempre te olha de cima para baixo, mesmo sendo uma mulher de estatura baixa sua posição permite que faça isso, afinal ela está em pé, caminhando, enquanto nós estamos aqui sentados. Sua função é simples: supervisionar nosso trabalho. Garantir que os fiéis paguem suas dívidas e ao mesmo tempo recebam um tratamento especial, para sentir que fazem parte de tudo aquilo e que o “Seu Deus” importa-se com eles.

Ninguém consegue encara-la nos olhos. Sua voz nunca tem variações de tons. Parece ser uma mulher sem dúvidas, sem medos. Dura e exigente. Tendo sempre o controle da situação em suas mãos. Dizem entre as conversas que: esta é uma mulher de poder!

– Talvez você pudesse faltar à aula em sua faculdade hoje…

Ela cochicha isso em meu ouvido. Claro que todos pensam que é apenas mais um “puxão de orelha”, afinal ela tem uma imagem a preservar.

Uma mulher poderosa… Firme e confiante.

Uma mulher frágil… Mas isso ninguém sabe.

– Vem… Me abraça… Me segura forte.

Ela está ofegante. Seu coração acelerado.

– Me beija… Assim… Isso…

Eu gosto de estar por cima. Parece que assim ela se sente protegida. Aqui, neste quarto, ela pode ser frágil. Os óculos jogados ao pé da cama, o cabelo bagunçado e solto, seus olhos revirando enquanto suas unhas gravam linhas avermelhadas em minhas costas. E suas pernas, tão firmes em seu caminhar, agora se estremecem.

Depois de meia hora olhando para o espelho de teto pensando em todos os clientes dos últimos dias, em todas as negociações bem feitas e não feitas, somando números para tentar calcular a porcentagem de bônus que ganharei no final do mês, decido me levantar, tomar uma última ducha, pegar minhas coisas e ir embora.

Uma hora mais tarde uma mulher vai acordar sozinha numa cama de Motel. Ela vai acender um cigarro e sorrir aparentemente sem motivos. Vai prender seus cabelos, abotoar seu terninho, ajustar sua saia, deslizar sua meia-fina e encaixar seus sapatos de salto. Por fim vai se olhar no espelho, colocar seus óculos e sentir novamente o prazer de vestir uma mascara falsa em sua personalidade.

Uma mulher frágil vai sair por esta porta, em mais ou menos duas horas, com uma postura ereta, de passos firmes, olhando para a moça da recepção de cima para baixo.

No fundo pouco me importa o que pode acontecer depois. Às vezes não sei por qual motivo ainda mantenho uma relação com ela. Talvez, tente preencher algum lugar vazio dentro de mim.

Sobre o meu Demônio

xaxaxa

Por: Mauricio Lahan Junior

-Boa noite.

Uma voz tranquila e grave. Elegante em seu tom, em suas roupas e em sua postura. Um blazer negro e uma camisa cinza. Cabelos penteados para trás e uma barba bem feita em torno de um queixo alinhado e quadrado. Um Corpo meio atlético, perfeito em proporções. Com um olhar frio, que poderia ler sua alma, e um sorriso fácil, capaz de enganar qualquer mulher.

– Quem é você? E o que faz em minha sala a esta hora da noite!?

Eram três da madrugada e não havia explicações plausíveis para entender como aquele homem estava recostado em minha janela dentro de minha própria casa.

– Eu vim por que você me chamou. Afinal, ninguém levanta a essa hora, quase todas as noites, sem motivos. Sem precisar de ajuda.

Ajuda?

– O que você sabe sobre mim?

Ele sorri desdenhoso

– Tudo…

Sou tomado por um calafrio. Mas quem diabos é essa pessoa?

– Você me faz lembrar um cientista que conheci. Cansado de tudo o que o cerca. Das leis e as formas desde mundo. Eu vejo em seus calmos e recaídos olhos. Você quer conhecer mais, quer tudo o que possa ser lhe oferecido. Você pode ter tudo o que quiser. Basta aceitar a queda. O Fundo do poço.

Mas que maldito abusado! Como pode me provocar dentro de minha própria casa?

– Não adianta negar. Se fazer de honesto. Eu sei o que você quer.
Eu sou aquele que você sempre procurou. Aquele que você sempre teve medo de buscar. Venha comigo! Venha e esqueça esses papéis. Essas contas de todos os meses. Esses personagens falsos que você encontra todos os dias em seu computador e que escondem suas reais vidas entre fotografias alegres.

Estou atônito. Paralisado. Não consigo imaginar quem possa ser este homem.

– Você sabe quem eu sou. Sabe que estou dentro de você. Sou aquele que paira sobre seu ombro esquerdo a cada momento de dúvida.
Mas quem é você? Você é aquele cientista que sabe o que quer, mas tem medo de escolher. É aquele louco que a muito tempo está preso numa caixa, construída por uma tal moralidade, que a bem da verdade é apenas uma desculpa para justificar o seu medo de arriscar.

Demônio!

– Mefistófeles seria o correto. Agora venha. Vamos usar o tempo que lhe resta para aproveitar isso que você chama de vida.

Rubem Fonseca: 50 anos de beijos, tiros e sangue

Rubem-Fonseca-foto-de-Zeca-fonseca

Por: Anderson Estevan

“Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede. Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado.
Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.

Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.

Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse”

Confesso que ao terminar de ler estre trecho de Feliz ano novo, conto/título do livro de Rubem Fonseca, esta hipnotizado. A sua mistura coesa de violência estilizada, linguagem corrida e literatura noir me ganhou em menos de cinco minutos.

E em menos de um mês já havia lido seis de seus livros em ritmo acelerado. Em pouco tempo, pude conhecer Mandrake, o advogado canastrão e mal humorado; Gustavo Flávio, o escritor atormentado de Buffo e Spalanzani; e o comissário Mattos, de Agosto, com ovos, copos de leite e a sua úlcera crônica.

E o pior: eu sempre queria mais!

Até então, nunca havia lido ninguém que conseguisse transmitir tão bem a atmosfera urbana brasileira, na periferia e no centro, como ele. Embora suas histórias se passem no Rio de Janeiro, elas poderiam perfeitamente estar alojadas no coração de São Paulo sem nenhum problema.

Outra coisa que merece ser destacada nesta resenha/declaração é o trato com os protagonistas. Não há piedade nem sentimentalismo. Na literatura de Fonseca, ninguém é à prova de morte.

O padrão branco, alto, bonito e de olhos claros também passa longe dos personagens principais. Por seus contos, novelas e romances há gente feia, desdentada, suada e com problemas que fariam qualquer personagem de um romance adolescente chorar e pedir arrego. Essas figuras bizarras, que eu e você encontramos caídos pela rua, gente de verdade, estas sim são as personagens ideais do escritor.

E essa atmosfera dos fodidos, dos segregados, esta é a realidade para a literatura de Fonseca. Sabe toda aquela fúria e descontrole que vez ou outra acompanhamos na televisão? Em sua obra ela ganha contornos de arte. Já as mulheres sedutoras e com um quê de ingenuidade. Tipos tupiniquins de Femme fatale que todo mundo espera encontrar por aí, mas não encontra nunca. Talvez por que estejam todas na literatura de Fonseca.

De Os prisioneiros, seu primeiro livro, lançado há 50 anos, até hoje, são mais de 26 obras, entre coletâneas, novelas e romances. Mesmo assim, o velho Rubem Fonseca continua vigoroso, sendo um cronista cada vez mais atual da situação sócio política brasileira.

Não vou dizer que todos devem “devorar” Rubem Fonseca, mas que ao menos uma espiada em alguma coisa do velho escritor não faz mal a ninguém. Ou melhor, faz sim, e no máximo você pode acabar ficando viciado em um dos mestres da literatura policial brasileira.