Take a shot in the rain

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Tirei uma pequena barra de chocolate do bolso de meu moletom amarelo e preto. Abri facilmente a embalagem e comecei a mastigar aquele pedaço borrachudo.
Cobri a cabeça com a touca do agasalho quando senti os primeiros respingos da garoa. Acomodei os fones de ouvido e guardei o celular no bolso da calça. A musica alta ajudava com o foco da minha atenção.

“Take a shot in the rain”

Ao longe uma menina caminhava em paralelo sem me perceber. Ela me dá apetite de luta.
Vestindo uma saia preta curta com meias longas escuras por baixo, uma camiseta vermelha e uma jaqueta jeans por cima. Cabelos negros, um corte até a altura dos ombros com uma franja na frente.
Ela não passava dos 1,75 de altura. Um corpo de curvas leves, magro e delicado. Talvez fosse um desenho.

“Wait for me”

Eu vi uma foto sua na frente do espelho. Estava escondendo o rosto mas deixava escapar o sorriso no reflexo. Olhos ao chão, levantava com leveza a perna, um passo de bailarina. Estendia o braço direito para baixo e o esquerdo ao alto, mas suas mãos estavam soltas, talvez imaginando um par para guia-las.
Aquela foto em preto e branco, colorida pelo seu sorriso.

“it’s all better now”

As vezes tu virava o rosto enquanto caminhava, no momento em que me percebeu lhe ofereci um riso sem jeito, em troca levantou as sobrancelhas e apertou os lábios como quem dá um “Olá” educado a um estranho de forma simpática.
Você me parecia tão sozinha. Eu queria poder ajudar. Talvez tenha te assustado.

“Gonna be who I am”

O melhor que posso fazer é te olhar por ai.

Tatiane

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Hoje
Ao descansar das ruas
Quando apenas as criaturas noturnas estavam despertas
Recorro ao colar em meu pescoço.

Das diversas cores
Foi o branco que levei aos lábios
Rogando perdão pelo azedume amargo no peito.

Da espada julgadora em mãos
Me vi transtornado, confuso em lamentação.

Pois triste é aquele que se permite fazer do Amor a raiva.
Esquece tudo em que acredita
E se perde por mal dizeres.

Faz de si acusador
Perdendo o calor do colo
Carinho que outrora sempre soube oferecer.

Injusto é o sentimento
Que te faz errado por te-lo direito de sentir.

Vento em Esperanto!

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Por: Mauricio Lahan Jr

Eu não fico pedindo comentários nos meus textos (isso aconteceu apenas uma vez) mas dessa vez eu gostaria que todos que pudessem ler esse post fizessem um comentário sobre o trabalho do pessoal que vou apresentar aqui 😀

Fiz uma pequena entrevista com o vocalista de uma banda do caralho que conheci! Eeeeeeee acho realmente importante divulgar, apoiar e incentivar o sonho de bandas independentes, afinal este um dia foi o meu sonho também ~~

  • Vamos la! Qual seu nome e o que te motivou a tocar numa banda?

Olá, eu sou o Vitor Hugo, sou vocalista e guitarrista da Vento em Esperanto. Bom eu sempre tive uma “quedinha” por musica, desde pequeno eu já cantava e fazia altos barulhos em casa. O ambiente onde moro sempre foi cercado por musica, das mais variadas. O meu irmão mais velho foi membro de um grupo musical e eu sempre quis aquilo para mim. Então desde pequeno eu sentia que a musica me trazia sentimentos diferentes.

  • Quantos integrantes fazem parte do Vento em Esperanto? Pretendem aumentar o numero?

A banda é bem grande, o formato principal conta com 4 membros e mais um amigo no trompete, agora vamos contar com mais uns companheiros que iram gravar o próximo disco conosco.

  • Foi você que teve a ideia de iniciar a banda?

Sim, eu tinha deixado minha banda antiga e partir para fazer um som novo.

  • Quem escreve as letras? E as musicas?

Bom, eu componho a maioria dos sons, mas os outros integrantes também possuem algumas letras. A melodia eu costumo compor junto com a letra, mas eles sempre ajudam a dar energia para o som.

  • O que você gostaria de adicionar a sua banda? Algo que você ainda sente falta.

Eu acho que quando um instrumento é bem tocado, quando conta com amor e dedicação, ele sempre soma no som. Independentemente de ter sido ou não usado naquele estilo. O nosso som me agrada muito, mas se pudesse contaria com mais instrumentos, formaria uma big Band.

  • Sobre o mundo da noite. Existe uma disputa grande entre bandas novas e bandas covers?

Não diria disputa, mas você tem uma espécie de tradição em diversas casas de show. Por exemplo, uma casa de show que costuma receber bandas que tocam apenas covers, ao receber uma banda que faz som próprio sofre um estranhamento. Muitas vezes aquele publico espera por “mais do mesmo” e não estão afim de ouvir novos sons. No nosso caso levantamos a cabeça e tocamos nosso som com a maior energia.

  • O FaceBook é Melhor que a Mtv?

A mtv revelava muita gente não é ? Muitos conheciam bandas por ali, mas sabemos que muitas coisas envolvem a entrada de uma banda na mídia( ate mesmo a mtv). Eu acho o Facebook um pouco mais independente, você convive com o acesso livre e, as vezes com pessoas que curtem seu som sem ter ouvido. Mas faz parte !

  • Como você define o estilo de suas músicas?

Eu tento, mas não consigo. Não tenho habilidade para isso. Porem, as pessoas já fizeram algumas definições, por exemplo: Pós-tropicalista, soul, blues, mpb, indie. Acho que somos um pouco de tudo isso.

  • Tem algo grande que você gostaria de conquistar pela sua banda?

Gostaria de conquistar pessoas, passar a mensagem, sentir que o nosso som possui um significado ou que desperta sentimentos.

  • Conte-nos 3 grandes inspirações

As três principais para mim são: Lenine, novos baianos e caetano veloso.

  • Bonus Stage! Se alguém gritar você toca Raul?

*Risos* Difícil, essa brincadeira sempre chega de uma maneira mais forte por que o baterista se chama Raul, então já deu para imaginar né ? Eu toco mais uma do Caetano e fica tudo certo.

  • Espaço aberto! Fale qualquer coisa que quiser ~~

Enfim, a Vento em Esperanto é uma banda nova, com ideias novas e que deseja conquistar o coração e ouvidos de muitos. Sempre faremos nosso som com dedicação e pedimos liberdade para aqueles que querem demonstrar o talento. Acho que temos que nos permitir mais, dar mais oportunidades. Tem uma galera boa por ai!

Foi muito bacana fazer essa entrevista! O Vitor foi muito receptivo e desejo todo o sucesso a galera e ao trabalho deles.. Agora quero todo mundo cantando comigo “Maaaaalllíiiccciaaaa” ~~

FaceBook: Vento Em Esperanto

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Nossa primeira Viagem

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Okay, é mais uma com musica… Mas.. Sei la.. Da aquele play la embaixo antes 😉

O ponteiro estralava por volta de 115 km/h

A garota ao meu lado pegava um bolo de notas e o cheirava profunda e longamente. Depois jogava sua cabeça para trás e gargalhava alto, de forma gostosa como aquelas crianças que aparecem em virais de internet.

Estava com um vestidinho rodado, preto com bolinhas brancas. Sua franja estava bagunçada, devido ao vento da estrada, mesmo assim era lindo ver como combinavam seus cabelos negros, sua pele bem branquinha e suas tatuagens coloridas. Duas rosas na altura dos ombros e no centro de seus seios uma caveira sem mandíbula, apenas com a parte de cima do cranio. Ela era sexy e quente. Com um pequeno piercing de bolinha prateada no canto esquerdo do busso e um batom vermelho, que deixavam seus lábios enormes, completava seu estilo Pin Up usando um óculos grande e arredondado.

– Eu faço de tudo para te ver rindo deste jeito pelo resto da vida.

Ela sorri de forma leve e passa a mão nos pelos da minha curta barba.

Eu estou de terno, gravata, calça e sapatos pretos. Junto a uma camisa branca eram esses os itens do meu uniforme de motorista.

Com seus dedos finos ela puxa meu queixo tirando toda a visão da estrada ao me olhar nos olhos.

– Nós vamos Foder o Mundo Todo!

Depois do beijo, e uma forte mordida no meu lábio inferior, ela me solta e aumenta o som do Carro até o ultimo volume gritando:

– É a Nossa MUSICA Baby!

You Only Live Once do Strokes sempre foi a nossa preferida.

Já não importa mais as consequências. Os três milhões de reais que estavam guardados embaixo da cama do velho Mathias, dentro de um fundo falso no chão, estão agora em bolsas na traseira do carro e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Ele dizia que não confiava nos bancos. Uma velha mania para um velho com muito dinheiro.

Ela belisca minha bochecha e faz com que eu caia em mim novamente.

Balançando os ombros e o queixo faz algumas caretas cantando bem alto

I can’t see the SUNSHIIIINE!,
Ela aperta as mãos sobre o peito
I’ll be waiting for you, baby,
Fecha a cara
‘Cause I’m through

Decido entrar na onda e relaxar meus ombros, enquanto ela começa a jogar nossos RGs originais pela janela, levantar os braços e dançar nós cantamos:

– SIT ME DOWWNNN
SHUT ME UUUUP!!!
I’LL CALM DOWN,
AND I’LL GET ALONNNG  WITH YOU!

 

Foi em 1 de Junho de 2012

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Por: Mauricio Lahan Jr

* Aquele Play bacana la embaixo 😉

-Cade seu RG?

-Eu não trouxe!

“Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor”

Era assim. Totalmente imprevisível!

-Mas relaxa que a gente da um jeito de entrar de qualquer forma.

A casa estava cheia. Afinal os barbudinhos não tocavam mais juntos a muito tempo. Era o tipo de evento que você tinha obrigação de ir, pois talvez não houvesse outra oportunidade.

“E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena”

Fomos até o bar. Pedimos uma Heineken e uma dose de Whisky, puro apenas com gelo. Voltamos ao meio do povo. Eu sorria, igual um idiota, para tentar relaxar. Pode parecer estranho, afinal tínhamos anos de amizade, mas eu ainda ficava meio sem jeito perto dela. Não sabia exatamente o que estava pensando, mesmo sempre me dizendo que eu a entendia como ninguém.

“Ah, vai
Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar”

A música era a melhor possível! Algo que estava em nós dois. Que nos fazia viajar longe. Que nos separava do resto do mundo.

Não me lembro bem se foi eu quem a puxou ou se foi ela que me enlaçou.

“Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê, deve não ser
Você me falou pr’eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor”

Mas sei que estávamos bem juntinhos. Olhares fixos e sorrisos largos. Sentindo nossa respiração. E, sem ter como explicar, o lugar pareceu tão vazio. Só havia a musica. Cantávamos em nossas bocas. Aquela musica…

“Ah, vai
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona
Pra te acompanhar”

É… Já se faz tantos anos. E no fim… acho que perdi a hora afinal.

Stand By Me

xaxaxa

Por: Mauricio Lahan Jr

* Tem que dar Play ali embaixo 😉

– Lembra do molho com azeitonas?

Eu era uma criança cheia de paixões! Tinha tantas idéias e tantos futuros passando pela minha cabeça. Mas um dia meu grande castelo se quebrou e eu pensei que não haveria nada mais a frente.

Você apareceu. Me levou para conhecer sua casa, dividiu segredos, medos e uma cama. Passamos por dias e noites, por extremos sorrisos e medos.

Mas não deu certo. Nem mesmo depois de tantas Tequilas. Você não sabia o que sentia – ou sabia e eu não entendia. Pediu um tempo, dois tempos, três tempos. Me quis uma vez de volta, duas vezes. Apenas duas vezes.

“So what’s the matter with you?
Sing me something new
Don’t you know?
The cold and wind and rain don’t know
They only seem to come and go away.”

Sempre tao impulsiva. Eu te disse isso naqueles dias. E você me disse isso nestes dias de hoje.

Foram tantas as coisas que aprendi nestes últimos anos.

Você vai embora de novo? Eu sei. Eu fugi antes. Mas o que esperava de mim? Vai me deixar estar por perto? Vai ficar por perto?

Não. Talvez não se importe mais. Talvez não tenha feito diferença.

“Times are hard
When the things have got no meaning
I’ve found a key upon the floor
Maybe you and I will not believe
In the things we find behind the door”

Eu deixei de lado as paixões e o futuro. Não sou mais uma criança. E hoje meu pequeno quarto é muito seguro.

Eu te escrevi um poema certa vez. Você jogou fora. Eu nunca esqueci. Do seu molho com azeitonas ou das doses de tequila. Não da pra esquecer o café que você preparava em algumas manhãs. As quentes e intensas madrugadas.

Por que você voltou se não foi para ficar do meu lado?

“If you’re leaving, will you take me with you?
I’m tired of talking on my phone
There is one thing I could never give you
My heart will never be your home”

Eu te encaro nos olhos, e você sorri

cz

Por: Mauricio Lahan Junior

PS: Da um Play la embaixo antes 😉

“Vai lá e diz tudo pra ela”

Foi numa mesa bonita, em um local bem confortável, que um amigo me deu um conselho. Me pergunto se conselhos óbvios são realmente conselhos ou se são apenas parte do processo. De qualquer forma pouco importa, eu me decidi e fui, fiz.
Começa com o café amargo que tomei pela manhã. Mentira. Se passava das 13 horas quando acordei. O café era amargo tanto quanto as palavras que estavam passando pela minha cabeça desde o dia anterior, quando recebi o conselho que contei a cima. Mentira. As palavras eram doces, mas as respostas que imaginei para elas eram tristes… Amargas. É mentira dizer que isso começou no dia anterior. Começou muito antes. Num momento que não sei dizer qual, nem precisar o dia, ou as horas. Mas já faz um bom tempo. Tempo o bastante para eu nem lembrar quanto!
Mas aonde eu estava? Sim no café! O dia todo seguiu desta forma, dando voltas nas mesmas palavras. Uma mudança no roteiro aqui, outra ali, buscando qual a melhor forma de dizer, adivinhando qual seria a resposta.
Ela chegou, despreocupada, sem se aproximar muito, afinal eu estava dando um gelo nela nas ultimas semanas. No fim da aula lhe convidei para uma Cerveja. Duas garrafas de coragem era o que eu precisava, ou pelo menos no que eu acreditava. Ela deu risada. A noite toda. Como a muito não fazíamos. Uma risada só dela, livre, solta, natural, daquele tipo de riso gostoso que você pode escutar a vida toda sem enjoar  te convidando para sorrir em uníssono. A conversa fluiu, como se não houvesse tempo, e não importa quantas vezes os celulares em cima da mesa vibraram, a eles não demos nenhuma atenção. Um momento em que existia apenas nós dois. E já se faz um bom tempo, o bastante para eu nem lembrar quanto, que para mim só existe ela.
As duas garrafas não foram suficientes naquele momento.
Fomos embora do lugar. Mas as risadas e as conversas continuaram. Parecia que tínhamos assuntos de anos atrasados.
Eu estava com tudo pronto na cabeça, e fui me decidindo desta forma:
“Eu falo durante a aula” e depois “Eu falo na mesa do bar” e mais para frente “Eu falo enquanto estivermos indo embora”.
Mas nada. Como um iniciante de palco com medo de esquecer o roteiro na cena principal, ou talvez, medo da reação de seu publico. Talvez a mescla dos dois.
No final, tomei a decisão, e fui, fiz… Antes da despedida. Pedi cinco minutos. Mas era outra mentira, pois durou cerca de quinze. Eu acho. Quando estou com ela o tempo fica em segundo plano.
Lhe disse o tudo. Sobre as dores, as palavras, a esperança, o sentimento e sobre o coração. Sobre como ele se agitava quando ela estava perto. Contei sobre como meus olhos se fixavam em cada detalhe, de cada gesto. Falei sobre como ela é linda e o quanto eu me importava com ela.
Vi que seus olhos se encheram, e de forma tao doce ela disse “eu gosto tanto de você”.
Mas não houve um final feliz. Não foi amargo. Trouxe um alívio, sem surpresas.
E por enquanto… Por um bom tempo, o bastante para eu nem saber dizer quanto, vamos manter assim. Distantes.