Apesar de Você

Sem temer

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
Lá lá lá lá laiá

FORA TEMER! E depois?

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Primeiramente Fora Temer!

Em segundo geralmente está o Aecin.

Em terceiro vamos ao tema do post.
Nos últimos tempos a política brasileira na internet produziu 3 grandes massas de Escândalos, Textões e Memes. De certo o que ficou bem claro é que com todas as nossas diferenças ainda sim a população brasileira concorda que nosso presidente ou deve sair ou não deve ficar. Mas, se há uma insatisfação generalizada com a política nacional além de inúmeras denuncias e processos voltados contra Temer neste governo, por que então ele ainda se mantém no poder?

Muito provavelmente por termos uma cultura de organização político-social fragilizada. Nós temos a consciência – até mesmo por que sentimos “na pele” –  que nosso modelo político é totalmente deteriorado. Porém, numa escala de grande massa, não temos a bagagem ideológica ou teórica para criticar e, o mais importante, projetar um novo modelo que atenda nossas necessidades como sociedade. Assim nossa população consegue criar um movimento de luta contra a má gestão política mas não tem força de movimento para se organizar e criar um projeto de nação.

Nós não debatemos Metas!

Veja, hoje a sociedade brasileira não tem de forma clara e palpável nossas metas como nação. Qual é o plano nacional para a Educação até 2024? O que queremos alcançar até 2030 com a Saúde publica? O que esperamos sobre o índice de casa própria por pessoa até 2026?

Dormimos e acordamos todos os dias olhando para os jornais esperando que o Dólar caia e a Bolsa suba e resumimos todos os problemas nacionais focados numa formula econômica simples, que em muito pouco representa e expressa a real situação do país.

Além de lutar e combater os problemas politicos nas redes sociais ou nas ruas nós temos de ir além e tomar um passo mais a frente. Devemos começar a desenvolver uma politica que possa respeitar nossa opinião e ideias. Enquanto deixarmos que Eles pensem por nós nunca teremos um modelo político saudável e de qualidade.

Temos de mudar nossa forma de pensar e deixar de lado a ideia de que Basta votar e a partir disto nossos políticos devem pensar por nós. Eles devem levar ao debate nossas opiniões e desejos e não tomar toda e qualquer decisão sem realmente levar em conta nossa opinião. Precisamos vivenciar e participar mais de nossa política nacional.

Hoje o nosso cenário nacional se encontra num momento muitíssimo frágil. Pois nós queremos derrubar um presidente mas não temos clareza em quem colocar no lugar – não vou ignorar aqui o favoritismo de Lula, mas o mesmo está sujeito a qualquer momento em se tornar ilegível como opção. Assim sendo precisamos para de esperar para ver o que vai acontecer, tomar decisões precipitadas, tal como apoiar a queda de Dilma, sem olhar para consequências, já que a aprovação de Temer é menor do que o da Ex-presidenta – sem levar em conta no fato de votar em Dilma sem se preocupar com ter Temer de Vice.

Precisamos urgentemente parar de criar guerras mesquinhas, cair na sedução do atraente comportamento de criticar tudo e a todos sem nenhum tipo de reflexão e de divinizar figuras políticas ou partidos. Precisamos discutir de forma sóbria nossos problemas sociais, nos identificar como sociedade, como um único organismo vivo e precisamos urgentemente criar um modelo de projeto de nação com metas claras do que desejamos para os próximos anos.

Se tivermos claro isso, logo não teremos dúvidas de como moldar e escolher os rumos de nossa política.

Sobre o vazio numa multidão

xx

Por: Mauricio Lahan Junior

Como havia dito no ultimo post, acredito que vou tentar mudar o tom do blog para algo mais pessoal.

No ultimo dia 31 participei de uma das tantas manifestações concentradas na Avenida Paulista em São Paulo. O intuito era de manifestar a opinião de uma boa parte da população contra a reforma da previdência.

De certa forma o movimento foi intenso. Muitas pessoas concentradas em prol de algo que acreditavam ser justo. Porém quero falar sobre alguns detalhes.

Parece que a mobilização se tornou algo comum e rotineiro. Isso fez com que o Ato fosse “meio mole”, e tranquilo demais. Parece, que cada vez mais, tal mobilização está se tornando um simples encontro ou “rolê”. Isso é prejudicial. Até mesmo a ausência da PM pode ser encarada de forma ruim. Se não houve repressão por parte do estado isso talvez implique que não há incomodo nenhum pela nossa mobilização.

Parece realmente estranho afirmar isso mas é irritante não perceber o movimento de repressão policial, pois não houve apoio e participação dos mesmos em prol do protesto.
Logo esse contexto me faz refletir que algo certo ocorreu (ou seja não houve repressão) mas pelos motivos errados (não estão se incomodando).

É repetitivo afirmar isso, mas quero deixar bem claro e evidente. Toda ação deve gerar uma reação. O sentimento que nos deixa é de um exercito de pessoas mobilizadas em uma guerra contra um castelo de muralhas fortificadas, paredes protegendo um núcleo onde a classe politica e empresarial festeja com todas as suas reformas. É como se o Estado maior estivesse tão bem protegido contra os interesses populares que não precisam tomar nenhuma atitude caso haja aprovação ou negação social referente a qualquer tomada de decisão.

Sinto como se toda aquela multidão estando ou não ali presente não afeta em nada o rumo politico do país no contexto atual. Não podemos nos acostumar ou deixar que caia numa rotina tais manifestações. Se não há impacto direto nas decisões parlamentares do País então devemos mudar de estratégia e concentrar nossas energias para movimentos e atos eficiente que possam trazer novos resultados.

Guilherme Boulos garantiu que se não houvesse retrocesso na decisão federal para barrar a reforma da previdência os movimentos organizados estarão prontos para avançar como segundo ele “na desobediência civil”. Espero que a população perceba o quanto antes e esteja disposta a se unir e entender o quanto é importante lutar contra tantos processos retrógrados, sendo a previdência o primeiro de muitos, para que no futuro possamos barrar e enfrentar a patética reforma trabalhista da terceirização irrestrita e do novo modelo, fadado ao fracasso, do Ensino publico brasileiro.