Contos – Rubem Fonseca

fonseca

Poha.

Recentemente tive contato com os contos de Rubem Fonseca e digo: Poha!

Que forma de escrever maravilhosa. É seco, violento, realista e palpável. Ele escreve algo totalmente concreto na qual você consegue sentir fisicamente a história. E por sentir fisicamente deve-se entender socos na cara que recebemos a cada paragrafo.

Um amigo definiu Rubem como um escritor que faz uma casa crua sem nenhum tipo de reboco ou enfeite. Ela é pura, cimento sobre tijolo. É apenas essência e estrutura.

Eu vi a busca por uma realidade tao bruta como a de Bukowski, porém sendo este um autor que utiliza muitos atos fantásticos nas suas histórias enquanto Fonseca chega a beirar o absurdo do limite humano.

É provável que ao ler você se sinta assistindo aqueles telejornais que a cada dia contam uma história mais e mais mirabolante mas que não são fantasia. Aquilo que as pessoas fazem quando ninguém esta vendo. Tirar a mascara e a roupa do convívio social para buscar episódios do interior humano, como se você fosse uma câmera de vídeo filmando os momentos mais íntimos e isolados das pessoas, aquilo que não é aceito socialmente.

Rubem Fonseca é a verdade que ninguém quer acreditar que exista. O desejo reprimido de se identificar com algo socialmente não permitido. Chega ao animalesco.

Enfim, acredito que o autor traduza bem o titulo do Blog e não é a primeira vez que escrevemos sobre ele (clique aqui para ver o ultimo post sobre o autor), mas acredito que o mesmo merece em muito ser lembrado e re-lembrado, lido e re-lido. Mas esteja pronto para aceitar que a parte mais sedenta por sangue dentro de você vai adorar as obras do autor.

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Emil Cioran

 

cioran

No momento em que se pensa ter compreendido Tudo,
Se adquire no rosto uma expressão assassina

De alguma coisa

Não há como compreender Tudo,
No edifício do Pensamento
Eu não encontrei nenhuma categoria
Em que pudesse pousar a cabeça

Em compensação
Que belo travesseiro
É o Caos

– Emil Cioran

Haruki Murakami

Haruki-Murakami

“Se você estiver procurando arte e literatura, o melhor é ler os gregos. Porque, para criar arte de verdade, é indispensável um regime Escravocrata. Como na Grécia antiga: os escravos arando os campos, preparando a comida, remando os barcos e, em meio a eles, os cidadãos absortos na poesia, dedicados à matemática. A arte é isso.

Há um limite para o que pode ser escrito por um sujeito que vasculha a geladeira na cozinha às Três horas da manhã enquanto o mundo Dorme.

E é esse o meu caso.”

– Ouça a Canção dos Ventos; Haruki Murakami.