Memória

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“se as nossas lembranças voltarem e, entre elas,
a de momentos em que te desapontei, ou de atos
condenáveis que eu um dia possa ter cometido
e que a façam olhar para mim e não enxergar
mais o homem que você está vendo agora,
me prometa uma coisa pelo menos:
prometa, princesa, que não vai esquecer
o que sente por mim no fundo do seu coração
neste momento”

A algum tempo vem surgindo no meu universo pessoal muitos símbolos envolvendo um tema extremamente complexo e completo: Memória.

Recentemente, duas grandes obras colocaram esse tema em foco na minha vida e de forma muito clara. A primeira foi “Vingadores: Ultimato”. Numa forma alucinante, este foi o evento que mais aguardava com ansiedade deste o ano passado. Já a Segunda obra foi o contato com o Livro “O Gigante Enterrado”, uma leitura obrigatória para todo bom amante de literatura, um texto leve e fluido extremamente cativante, delicioso de se ler.

Vingadores foi, disputando ali o lugar com a ultima temporada de “G.O.T.“, provavelmente o maior acontecimento da cultura pop/geek/nerd que 2019 poderia produzir. E basicamente a trama inteira do filme é baseada numa busca em revisitar toda a trajetória dos 10 últimos anos de filmes da Marvel no cinema. Não somente relembrando momentos mas fazendo com que seus personagens pudessem olhar para trás e se questionarem, preencher lacunas de suas histórias e acertar pontos que muitas vezes ficaram inacabados. Esse filme me acertou em cheio! Mesmo prestando muita atenção na gigantesca tela “Imax”, não pude evitar me perder em momentos de devaneios imaginando estar no lugar daqueles personagens. Não vivendo suas histórias e aventuras, mas tentando trazer a mente como seria poder voltar no tempo, buscando memórias que estavam deixadas ali em algum canto na minha mente, algumas em lugares mais protegidos e bem cuidados e outras em locais um pouco abandonados do meu cérebro.

Eu vi momentos da minha vida em aquelas poucas horas de filme que me fizeram refletir bem a fundo e brincar com a ideia de que se eu pudesse mudar algo, será que o faria? Naquele momento sim. Todas elas. Acredito que a emoção do filme te faz pensar muito em memórias na qual você deseja revisitar e alterar, em oportunidades que você considera como perdidas. Mas ai, veio a segunda parte.

O Livro vencedor do Nobel de literatura em 2017, O Gigante Enterrado de Kazuo Ishiguro, ampliou todo aquele sentimento que eu vinha nutrindo, após assistir o filme dos heróis mais poderosos da Terra, ao longo de semanas. A Obra literária, mais profunda, mais densa, que não poderia ser digerida em apenas três horas de cinema, trabalhou uma ideia mais imersiva sobre as lembranças guardadas em minha mente.

O livro não apenas fala sobre memória, mas nos leva a pensar sobre a importância de termos ou não especificas lembranças e o que em sí tais memórias podem influenciar ou não o que somos hoje. Ishiguro me fez pensar que talvez fosse muito importante guardar memórias que possuo ao invés de desejar muda-las. Me fez refletir que hoje sou o que sou por tudo que passei e que não faria diferente no passado, afinal se eu souber o que acontece antes de acontecer e basear minhas escolhas já conhecendo o resultado logo, se  volto ao meu passado ele se torna meu presente, assim como o Hulk explica no filme. Eu percebi que só posso brincar de imaginar escolhendo caminhos de um passado alternativo na minha vida se antes tenha já vivido e aprendido com eles. E foi aprofundando esse pensamento que percebi, ao fim, o valor e a importância de cada lembrança que constrói, ao longo dos anos, pedaço por pedaço da pessoa que sou.

Muitos de nós passamos eternos dias e meses parados no tempo, refletindo “Como a vida poderia ser diferente”. É uma reflexão válida. Porém não podemos desvalorizar todas as provações, problemas, dificuldades e alegrias pelas quais vivemos cada dia, cada hora e cada instante. Nossas memórias estão ali, guardadas por um bom motivo. Não para termos uma bolsa de arrependimentos nas costas sobre tudo aquilo que foi e deixamos ir, mas sim para podermos revisitar a nós mesmos e entendermos como foi feita a construção do ser humano que somos além disto servirá para entender como tal formação criou os laços que temos com as pessoas em nossa volta.

A memória assim como o tempo deve ser colocada como um dos bens mais importantes do ser humano e devemos valorizar cada instante de história que pudermos lembrar sobre nós mesmos. Manter lembranças vivas dentro de nós é a melhor forma de aprender ou ensinar sobre o homem ou mulher que nos tornamos.

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Los Hermanos – 18/05/2019

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Eu estava pensando em escrever sobre memória. Estou terminando o livro famoso do Kazuo Ishiguro e a algum tempo venho conversado com um camarada sobre a questão da memória e esse tema que em nossa opinião também foi tratado muito brilhantemente no filme dos Vingadores.

Mas decidi mudar de ideia. Pois pensando sobre o tema me veio em mente o ultimo Show da turnê do Los Hermanos que aconteceu em São Paulo no Allianz Parque.

Foi nesse momento que percebi como é bom revisitar algumas coisas do passado. Coisas que estiveram ao seu lado dia após dia. Que te acompanham e que estão ligadas a momentos e sentimentos, tendo a sorte de poder ainda ao longo de todos esses anos ter os mesmos momentos e sentimentos.

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Fazia tantos anos que fui a ultima vez num show dos caras e já são tantos mais que ouvia as musicas dos seus 4 CD’s que a principio não parecia que seria uma noite espetacular.

Na verdade, eu já estava até enjoado de ouvir Los Hermanos. É uma das poucas bandas que conheço praticamente todas as letras de todos os CD’s. E como já tive a experiencia de ver um de seus shows então a “Hype” estava bem baixa.

Não tive pressa de ir ao show, chegar cedo para conseguir os melhores lugares ou ficar com o frio na barriga e a ansiedade, contando as horas para o evento. Mas isso foi antes de chegar no lugar…

 

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Quando entrei no estádio estava acompanhado de uma boa galera. Um camarada da Faculdade, que na época foi o meu maior parceiro de estudos e o qual eu mais dividi ideias e ideais, e seu amigo. Meus dois primos que tenho como irmãos de vida e que convivemos juntos desde pequenos, responsáveis por me apresentarem a banda a uns 11 ou 12 anos atrás. E a minha namorada. Que me acompanha até o inferno se for preciso e que mais do que isso se apaixonou pela banda quando eu a mostrei.

Além disto, havia encontrado um casal de amigos, dentro do estádio onde o show iria acontecer. Também estava no local uma amiga de infância mas, infelizmente, não consegui encontra-la no meio daquela multidão.

Por fim, parecia tudo perfeito. Meus irmãos de vida, amigos no qual passei anos dividindo ideias, conhecimento e ideologias e a Mulher que eu Amo.

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Bom. Então o show começou. E tudo aquilo que pensei, de que não haveria borboletas no estomago, emoções descontroladas e ansiedade, mudou.

Acabamos nos enfiando no meio do povo até o mais próximo do palco possível. Cantamos. Gritamos. Ficamos sem voz. Nos abraçamos, pulamos e nos debatemos. Toda aquela energia ainda era a mesma depois de tantos e tantos anos. E mesmos que os barbudinhos parecessem um tanto velinhos em cima do palco ainda sim cantavam com toda força de vontade. Havia sinceridade na voz daqueles caras.

Praticamente duas horas e meia de show, uma visita por todos os quatro CD’s da banda. Por todas as suas fases. Por todas as nossas fases. A cada música memórias e mensagens voltavam e vinham a tona. O tempo que dividimos e ainda vamos dividir. Los Hermanos é uma banda histórica. Odiada por uma multidão, sim! Mas que após anos longe da mídia, sem produzir novos discos, consegue lotar estádios pelo país inteiro e gravar fundo suas letras na memória de seus fãs!

E isso é o foda sabe? É passar anos longe mas quando se está lá parece que nunca esteve tão perto. Todas aquelas letras que a tempos e tempos não havia escutado ou cantado saiam simplesmente da nossa boca, de todos nós. Como se nunca tivéssemos deixado de canta-las.

 

“Eu só aceito a condição de ter você só pra mim..
Eu sei não é assim,
Mas deixa eu fingir.. E rir!”

Chile 1973

“Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.”

– Salvador Allende, 11 de Setembro de 1973

Essas foram as últimas palavras do então presidente do Chile ao seu povo antes do golpe militar de Pinochet.

Allende fez esse pronunciamento pelo rádio e no áudio pode se ouvir as bombas lançadas sobre o palácio lá Moneda.

A ditadura chilena, segundo alguns estudos, trouxe cerca de 40 mil mortos e foi considerada uma das mais violentas da América.

Não podemos esquecer da escuridão que militares daquela época jogaram sobre toda a América. E faz importante lembrar para que possamos resistir a repetir o mesmo erro nessas eleições.

#VivaChileLivre #VivaSalvador #AllendeVive