Pra guardar e lembrar

Pois existe aquilo
Que não se perde
E não se esquece

Do tipo que a gente insiste
Não desiste
E se guarda

Faz aquele esforço!
Pra manter vivo
Pra fazer tudo acontecer
De novo ~~

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A Rua dos Cataventos

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Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Quintana ~~