Salve as Almas!

Numa noite de Sexta, a muitos anos atrás, me aconteceu um episódio muito interessante.
O terreiro, como sempre, estava com aquele calor e aroma aconchegante advindo da defumação, os médiuns trabalhavam incorporados quase em silêncio. Era noite de preto(a) velho(a). Noite de calmaria. De olhos tranquilos que levam o peso da historia.
De olhos severos que direcionam as almas.
A “Vozinha”, que estava a minha frente, sempre mantinha um sorriso singelo no rosto. Por todas as vezes que me sentei para uma consulta trazia comigo uma coleção de erros e arrependimentos e ela, com todo o carinho do abraço, sempre me ensinou a levantar a cabeça e olhar para frente, a me focar em ser melhor e aprender com o erros.
Mas não me vem em mente o assunto que tratava na noite em questão e o que de mais incrível aconteceu de forma inesperada.
Ela com toda gentileza e com as mãos pouco trêmulas me ofereceu o café que estava em sua pequena xícara. Aceitei de bom grado e bebi. Logo o gosto amargo e forte tomou conta de toda a minha boca. Naturalmente meu rosto se retorceu por inteiro. Era simplesmente HORRIVEL kkkkk.
Qnd terminei fiquei em silêncio em respeito a entidade que estava em minha frente. Ela sorriu e perguntou: Está amargo ZinFio?
Acenei em sinal de positivo com a cabeça.
Ela então fez do seu semblante um rosto sério e respondeu: pois a tanta coisa amarga nesse mundo, que fazem esse café parecer doce como mel.
Por um instante eu refleti. Logo levei a xícara novamente a boca. Dessa vez não houve careta nenhuma.

Muitas vezes criamos grandes monstros e demônios que nos auto sabotam. E muitas vezes isso acontece por falta de consciência ou compreensão do que está em nossa volta, do que está dentro de nós. Às vezes falta paciência… Reflexão.
Hj todas as manhãs eu me sirvo de café amargo para nunca esquecer da lição aprendida naquela noite de sexta. E por incrível que pareça eu aprendi a encontrar o sabor até mesmo no amargo da bebida.

#SalveAsAlmas #Atôtô

Krishna

Krishna

– Neste momento decisivo, ó Arjuna, por que te entregas a semelhante desânimo, indigno de um Ariano, e que te fecha os céus?
[…] Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos.
[…] Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento – essas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência!
Mas quem permanece sereno e impertubável no meio de prazer e sofrimento, somente este é que atinge imortalidade.
[…] Perecíveis são os corpos, esses templos do espírito – eterna, indestrutível, infinita é a alma que neles habita. Por isso, ó Arjuna, luta!

-Krishna; Bhagavad Gita –